A grande vantagem da comida no verão é a frescura e a leveza das saladas.
Adoro!
Receitas para quê?
Estou a referir-me a saladas cruas de legumes frescos.
O procedimento é lavar, eventualmente descascar, cortar, misturar e temperar.
Qual é a dúvida? Não é preciso fazer nenhum workshop... Digo eu...
Basta escolher uma base como alface, tomate, rúcula, couve coração. couve chinesa, courgette, cenoura, espinafres, e juntar ingredientes que combinem ao gosto de cada um.
É do conhecimento geral que o tomate combina bem com manjericão, com orégãos e com cebola, com queijos frescos, mozarela de bufala, requeijão ou o nosso tradicional queijinho fresco de leite de cabra.
Até há uma salada italiana famosa com estes ingredientes, a salada caprese.
Temperar com flor de sal, bom azeite e um vinagre suave como o de cidra.
Para um toque extra, acrescentar uns fios de creme de vinagre balsâmico.
Uma das salada tradicionais portuguesas é de tomate e pepino.
A alface é muito versátil, combina bem com quase tudo.
Couve roxa, cenoura, rúcula, milho doce cozido, pepino, agrião.
Fruta como maçã, pêssego, alperce, morangos, banana, abacaxi, laranja, é só escolher.
Também é bom juntar alguma proteína, ovo cozido, queijo em cubinhos ou em lascas no caso dos queijos mais rijos, presunto ou fiambre de frango fumado (é o único fiambre de que gosto), qualquer fruto seco, sementes de abóbora, girassol, linhaça.
A ideia é escolher alguns produtos, ir variando, e assim conseguir uma imensa variedade de combinações.
Eu gosto de comer rúcula sem tempero, aprecio o seu travo intenso e apimentado a acompanhar, por exemplo, uma fatia de carne assada, mas a salada de rúcula mais conhecida é com lascas de queijo parmesão, nozes e um molho vinagrete.
Uma salada de cenoura cortada em palitos finos e couve coração cortada em juliana, temperada com um molho agridoce, tipo molho asiático, fica uma delícia.
Escolho sempre courgettes pequenas por causa da consistência interior mais firme, com menos água e menos sementes.
Tal como a cenoura deve ser cortada em palitos finos, em vez de ralada, para ficar crocante.
Utilizando um espiralizador consegue-se um efeito "esparguete" muito apelativo.
Um molho de sumo de limão, sal, pimenta preta, malagueta picada sem sementes, hortelã picada fininha e azeite, é o tempero perfeito para uma salada de courgette.
Se usar coentros em vez da hortelã obtém-se um molho mais tipicamente português, mais alentejano.
A couve coração, a couve chinesa ou outra assim macia, pode ser misturada com outros vegetais, mas também fica excelente sozinha temperada com um chutney ou um pesto.
Estas saladas são uma refeição completa e equilibrada.
Porém também podem ser aprimoradas com um peito de frango ou uma lombo de salmão grelhado.
É bom arriscar, misturar sabores, dar asas à criatividade e fazer deliciosas saladas de improviso.
Saladas que merecem receita são as improváveis, como a de maçã, aipo e sementes de sésamo que partilhei no ano passado aqui no blog, no separador das Receitas.
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domingo, 30 de outubro de 2016
sexta-feira, 28 de outubro de 2016
Palavras para quê?
Esta fotografia foi tirada no final de Maio quando recomecei as minhas caminhadas depois de um inverno e início de primavera chuvoso.
Apesar de me pesar e de medir os vários perímetros do corpo regularmente, desde que iniciei o meu regime de emagrecimento, o espanto, direi mesmo, o choque, de ver assim a flagrante diferença do antes e do depois, foi emocionante.
A satisfação de conseguir fazer os habituais oito quilómetros mais rapidamente, sem dores nas costas nem nos joelhos, sem sentir o cansaço que me tirava o fôlego, foi altamente motivadora.
Agora estou ainda mais leve e sinto-me ainda melhor e com mais energia.
Não pretendo ficar magra, mais a mais que a partir de uma certa idade isso ressente-se na cara e eu prefiro ter uma carinha laroca que parece mais nova do que eu.
Só quero sentir-me bem com o meu corpo e não ter problemas de saúde.
Há quem me pergunte, até com algum ressentimento que não entendo:
_ Mas ainda estás a fazer dieta?!
_ Não propriamente. Apenas mudei os meus hábitos alimentares e estou contente com isso.
Agora sinto que posso, uma vez por outra, beber um copo de vinho à refeição ou degustar, num dia de festa, uma doce sobremesa.
Sem remorsos, sem culpas.
No dia a dia mantenho o equilíbrio com a comida que me faz bem.
São as alternativas que inventei ou que adoptei, os truques e as ideias que pretendo aqui partilhar.
Pode ser que sirvam de inspiração a mais alguém.
(história da vida real com continuação nos próximos episódios)
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
O que mudou na minha alimentação?
Nove meses e menos 16 quilos depois, sinto-me muito melhor física e psicologicamente.
Gostava de perder mais quatro, mas parece que o meu organismo estabilizou e como passar fome está fora de causa, não é fácil consumir mais reservas adiposas.
Provavelmente só com um reforço exaustivo de exercício físico o consiga.
A ser verdade, o importante agora é manter este equilíbrio.
Para emagrecer não há alternativa - é necessário gastar mais calorias e consumir menos calorias.
Ir em modinhas só porque está na moda não faz o meu género.
Não aderi a dietas do paleolítico nem vegetarianas, não segui nenhum guru da nutrição moderna ou antiga. Não aceito fundamentalismos.
É evidente que gosto de ler tudo e mais alguma coisa sobre alimentação, regimes alternativos, dicas e receitas.
Informação bem escrutinada dá-me ferramentas para melhorar as minhas escolhas.
Estou convencida que cada um, se prestar atenção, percebe o seu corpo.
Saber o que me satisfaz, conhecer o que me sacia e não prescindir do que me dá prazer comer de forma saudável, é o verdadeiro segredo.
Tornar a comida saborosa evita pensar em guloseimas.
O que mudou na minha alimentação?
Na primeira fase, a mais intensiva, foi preciso implementar restrições drásticas.
Gostava de perder mais quatro, mas parece que o meu organismo estabilizou e como passar fome está fora de causa, não é fácil consumir mais reservas adiposas.
Provavelmente só com um reforço exaustivo de exercício físico o consiga.
A ser verdade, o importante agora é manter este equilíbrio.
Ir em modinhas só porque está na moda não faz o meu género.
Não aderi a dietas do paleolítico nem vegetarianas, não segui nenhum guru da nutrição moderna ou antiga. Não aceito fundamentalismos.
É evidente que gosto de ler tudo e mais alguma coisa sobre alimentação, regimes alternativos, dicas e receitas.
Informação bem escrutinada dá-me ferramentas para melhorar as minhas escolhas.
Estou convencida que cada um, se prestar atenção, percebe o seu corpo.
Saber o que me satisfaz, conhecer o que me sacia e não prescindir do que me dá prazer comer de forma saudável, é o verdadeiro segredo.
Tornar a comida saborosa evita pensar em guloseimas.
O que mudou na minha alimentação?
Na primeira fase, a mais intensiva, foi preciso implementar restrições drásticas.
Alimentos suprimidos
- Hidratos de carbono
- Bebidas alcoólicas
- Maionese, ketchup e outros molhos industriais
- Gorduras - manteiga, natas, banha, margarina
- Gorduras e peles das carnes
- Fritos
- os meus doces e sobremesas deliciosos
Nestes últimos anos comia regularmente este tipo de alimentos, mas sei que foi o excesso de doces e sobremesas, repletos de açúcar, farinha e manteiga, verdadeiras bombas calóricas, que provocaram a minha pré-obesidade.
Produtos proibidos
- Comida processada
- Comida pré-confeccionada (fresca ou congelada)
- Enchidos
- Refrigerantes
- Sumos e néctars industriais
- Bolos e outros produtos de pastelaria
Na verdade estes produtos interditos nunca fizeram parte da minha alimentação habitual.
Não aprecio chouriços, morcelas, salsichas, alheiras, fiambre, apenas no Cozido à Portuguesa que como no máximo duas ou três vezes por ano, gosto da farinheira, mas também posso passar sem ela.
Só muito raramente comia uma lasanha comprada no supermercado, por exemplo, mas costumava comprar esparregado pronto e congelado e deixei de o fazer porque tem muita gordura e outros ingredientes desnecessários e perniciosos.
É preferível comer legumes crus, cozidos ou assados.
Descobri uma forma fantástica, fácil e rápida, de cozer legumes em vapor, sem perda de nutrientes.
Reduzir o sal é importante, não só para a tensão arterial como para diminuir a retenção de líquidos.
Eu adoro beber água.
Beber muita água é extremamente importante, "lava" o aparelho digestivo, melhora o funcionamento dos rins o que é crucial para a saúde, melhora eventual problema da obstipação, e ainda "engana a fome" no intervalo das refeições.
Para quem não gosta de água pode optar por chá ou uma tisana, mas saibam que não é bem a mesma coisa.
Outro factor importantíssimo para o sucesso de uma dieta são as quantidades ingeridas e a frequência das refeições.
Há que reduzir a quantidade de comida que se coloca no prato e o estômago vai contraindo e ficando mais pequeno, logo come-se cada vez menos.
É comum recomendar comer de três em três horas, no entanto eu prefiro dar algum descanso ao estômago e só comer quando sinto fome o que varia entre as quatro e as cinco horas.
A melhor opção é aquela que funciona para cada pessoa conforme os seus hábitos, sendo fundamental evitar as ânsias de comer.
O stress é muitas vezes associado a distúrbios alimentares por isso convém evitar entrar nessa espiral de autodestruição.
Sentir-me bem com o meu corpo e ser saudável contribui para a minha felicidade.
Ser feliz é o melhor antídoto para o stress.
Não aprecio chouriços, morcelas, salsichas, alheiras, fiambre, apenas no Cozido à Portuguesa que como no máximo duas ou três vezes por ano, gosto da farinheira, mas também posso passar sem ela.
Só muito raramente comia uma lasanha comprada no supermercado, por exemplo, mas costumava comprar esparregado pronto e congelado e deixei de o fazer porque tem muita gordura e outros ingredientes desnecessários e perniciosos.
É preferível comer legumes crus, cozidos ou assados.
Descobri uma forma fantástica, fácil e rápida, de cozer legumes em vapor, sem perda de nutrientes.
Reduzir o sal é importante, não só para a tensão arterial como para diminuir a retenção de líquidos.
Eu adoro beber água.
Beber muita água é extremamente importante, "lava" o aparelho digestivo, melhora o funcionamento dos rins o que é crucial para a saúde, melhora eventual problema da obstipação, e ainda "engana a fome" no intervalo das refeições.
Para quem não gosta de água pode optar por chá ou uma tisana, mas saibam que não é bem a mesma coisa.
Outro factor importantíssimo para o sucesso de uma dieta são as quantidades ingeridas e a frequência das refeições.
Há que reduzir a quantidade de comida que se coloca no prato e o estômago vai contraindo e ficando mais pequeno, logo come-se cada vez menos.
É comum recomendar comer de três em três horas, no entanto eu prefiro dar algum descanso ao estômago e só comer quando sinto fome o que varia entre as quatro e as cinco horas.
A melhor opção é aquela que funciona para cada pessoa conforme os seus hábitos, sendo fundamental evitar as ânsias de comer.
O stress é muitas vezes associado a distúrbios alimentares por isso convém evitar entrar nessa espiral de autodestruição.
Sentir-me bem com o meu corpo e ser saudável contribui para a minha felicidade.
Ser feliz é o melhor antídoto para o stress.
(história da vida real com continuação nos próximos episódios)
quinta-feira, 19 de maio de 2016
pecado da gula
Às vezes parece que nasci com uma fome ancestral.
Fui educada a comer tudo o que me era posto no prato.
Em casa dos meus pais não havia desperdício de comida.
Ainda eram muito crianças, principalmente a minha mãe que nasceu em 1939, no entanto ambos guardavam algumas memórias do tempo da II Guerra Mundial.
Nunca passaram fome mas havia a ameaça e o medo de Portugal perder o estatuto de neutralidade.
Salazar disse - "Livro-vos da guerra mas não da fome" e as restrições de alimentos com distribuição de senhas de racionamento a partir de 1943, efeitos da inflacção e da escassez de produtos alimentares, afectaram a grande maioria da população que vivia numa situação de precariedade.
Na minha família era uma questão de educação já transmitida dos antepassados reforçada pela vivência da época e dos tempos difíceis que se prolongariam nos anos vindouros.
Muito depois, em casa, a minha mãe sempre se preocupou em dar-nos uma alimentação saudável com produtos frescos.
Não havia o hábito de comer doces e bolos senão em ocasiões especiais e festas.
Eu própria não era apreciadora de bolos ou chocolates.
No entanto era gulosa por comida, devorava aquilo de que gostava, comia demasiada quantidade, às vezes até ficar enfartada.
Até à adolescência era magra, tinha bastante actividade física e cresci em altura mais do que a média das raparigas da época. Depois dos 15 anos, com as formas a arredondarem-se naturalmente, não me sentia segura mas as fotografias abonam em favor da minha elegância.
Quando decidi ter filhos deixei de tomar a pílula contraceptiva e simultaneamente deixei de fumar. Tive duas gravidezes muito seguidas, as minhas filhas têm apenas 19 meses de diferença, o meu corpo nunca mais foi o mesmo e engordei mais do que gostaria.
Na altura da separação e divórcio até emagreci bastante pelo stress e por ter voltado a fumar. Mau hábito que deixei definitivamente em 1998 sem me preocupar até que ponto isso influenciava o meu peso.
Desde então a minha vida deu muitas voltas e começou a fase iô-iô do engorda e emagrece.
Tornei-me apreciadora de comida, bebida e até gulosa por doces.
O que aliado a uma vida mais sedentária provocou inexoravelmente acumulação de tecido adiposo.
Confesso que por vezes o prazer de comer era uma compensação.
Outras vezes criava em mim um conflito interno de "amor" "ódio" que não conseguia controlar e comia compulsivamente para depois me sentir horrível e culpada.
Ficar desempregada aos 48 anos também não ajudou e depois de fazer o curso de pastelaria e dedicar-me mais à doçaria foi o descalabro. Num ano e meio atingi um peso que nem quando estava grávida de nove meses vislumbrei alcançar.
É evidente que não posso culpar a comida nem os doces, apesar de saber que o açúcar é viciante.
Eu, pecadora me confesso, a tentação é grande e quando a alma está fragilizada sucumbo ao pecado da gula.
Quando finalmente me confrontei com o mal que a obesidade me estava a fazer, como começava a afectar a minha saúde, quão deprimida estava a ficar e me consciencializei que estava a entrar numa espiral destrutiva e num ciclo vicioso que só alimentava a minha desgraça, arranjei as forças, a coragem e a ajuda necessárias para reverter a situação.
Desde meados de Janeiro e durante estes quatro meses mudei a minha alimentação e a minha forma de comer, acabei com os hábitos viciosos e com os excessos.
Já consegui reduzir a massa corporal e peso agora menos 12 quilos.
Estou determinada a continuar até atingir o meu peso ideal razoável ou seja, perder mais 8 quilos.
E mais importante e difícil, manter-me nesse equilíbrio.
Tal como o doce nunca amargou, os doces e sobremesas feitos por mim continuam a ser deliciosos e comidos com moderação não fazem mal a ninguém.
Eu é que para além do que me encomendam ou faço para oferecer, tenho-me abstido de fazer experiências e provas tentadoras por isso esta página e o blog parecem abandonados nestes últimos tempos.
Além disso, para reforçar as minhas defesas contra as doces tentações mas não só, tenho-me dedicado a outras actividades muito estimulantes e prazenteiras.
Agora só falta que o bom tempo estabilize para regular as minhas caminhadas e exercícios ao ar livre, o que ajuda a atingir os objectivos de emagrecimento e também faz imensamente bem à alma.
Fui educada a comer tudo o que me era posto no prato.
Em casa dos meus pais não havia desperdício de comida.
Ainda eram muito crianças, principalmente a minha mãe que nasceu em 1939, no entanto ambos guardavam algumas memórias do tempo da II Guerra Mundial.
Nunca passaram fome mas havia a ameaça e o medo de Portugal perder o estatuto de neutralidade.
Salazar disse - "Livro-vos da guerra mas não da fome" e as restrições de alimentos com distribuição de senhas de racionamento a partir de 1943, efeitos da inflacção e da escassez de produtos alimentares, afectaram a grande maioria da população que vivia numa situação de precariedade.
Na minha família era uma questão de educação já transmitida dos antepassados reforçada pela vivência da época e dos tempos difíceis que se prolongariam nos anos vindouros.
Muito depois, em casa, a minha mãe sempre se preocupou em dar-nos uma alimentação saudável com produtos frescos.
Não havia o hábito de comer doces e bolos senão em ocasiões especiais e festas.
Eu própria não era apreciadora de bolos ou chocolates.
No entanto era gulosa por comida, devorava aquilo de que gostava, comia demasiada quantidade, às vezes até ficar enfartada.
Até à adolescência era magra, tinha bastante actividade física e cresci em altura mais do que a média das raparigas da época. Depois dos 15 anos, com as formas a arredondarem-se naturalmente, não me sentia segura mas as fotografias abonam em favor da minha elegância.
Quando decidi ter filhos deixei de tomar a pílula contraceptiva e simultaneamente deixei de fumar. Tive duas gravidezes muito seguidas, as minhas filhas têm apenas 19 meses de diferença, o meu corpo nunca mais foi o mesmo e engordei mais do que gostaria.
Na altura da separação e divórcio até emagreci bastante pelo stress e por ter voltado a fumar. Mau hábito que deixei definitivamente em 1998 sem me preocupar até que ponto isso influenciava o meu peso.
Desde então a minha vida deu muitas voltas e começou a fase iô-iô do engorda e emagrece.
Tornei-me apreciadora de comida, bebida e até gulosa por doces.
O que aliado a uma vida mais sedentária provocou inexoravelmente acumulação de tecido adiposo.
Confesso que por vezes o prazer de comer era uma compensação.
Outras vezes criava em mim um conflito interno de "amor" "ódio" que não conseguia controlar e comia compulsivamente para depois me sentir horrível e culpada.
Ficar desempregada aos 48 anos também não ajudou e depois de fazer o curso de pastelaria e dedicar-me mais à doçaria foi o descalabro. Num ano e meio atingi um peso que nem quando estava grávida de nove meses vislumbrei alcançar.
É evidente que não posso culpar a comida nem os doces, apesar de saber que o açúcar é viciante.
Eu, pecadora me confesso, a tentação é grande e quando a alma está fragilizada sucumbo ao pecado da gula.
Quando finalmente me confrontei com o mal que a obesidade me estava a fazer, como começava a afectar a minha saúde, quão deprimida estava a ficar e me consciencializei que estava a entrar numa espiral destrutiva e num ciclo vicioso que só alimentava a minha desgraça, arranjei as forças, a coragem e a ajuda necessárias para reverter a situação.
Desde meados de Janeiro e durante estes quatro meses mudei a minha alimentação e a minha forma de comer, acabei com os hábitos viciosos e com os excessos.
Já consegui reduzir a massa corporal e peso agora menos 12 quilos.
Estou determinada a continuar até atingir o meu peso ideal razoável ou seja, perder mais 8 quilos.
E mais importante e difícil, manter-me nesse equilíbrio.
Tal como o doce nunca amargou, os doces e sobremesas feitos por mim continuam a ser deliciosos e comidos com moderação não fazem mal a ninguém.
Eu é que para além do que me encomendam ou faço para oferecer, tenho-me abstido de fazer experiências e provas tentadoras por isso esta página e o blog parecem abandonados nestes últimos tempos.
Além disso, para reforçar as minhas defesas contra as doces tentações mas não só, tenho-me dedicado a outras actividades muito estimulantes e prazenteiras.
Agora só falta que o bom tempo estabilize para regular as minhas caminhadas e exercícios ao ar livre, o que ajuda a atingir os objectivos de emagrecimento e também faz imensamente bem à alma.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
Tartes e Tarteletes
A minha predileção por doces em forma de tarte é flagrante.
Adoro a base de uma boa tarte, uma massa amanteigada, ligeiramente doce intensificado por uma pitada de sal, crocante que se desfaz na boca.
Eu prefiro as massas areadas.
A base não é só o recipiente para o recheio.
É o contraste que o realça.
O mais maravilhoso é a variedade de recheios que se podem fazer.
Cremes frescos e queijos creme combinados com fruta em polpa, em puré ou em doce.
Cremes alimonados perfeitos para tartes merengadas.
Calculo que qualquer doce de colher pode ser utilizado como recheio de uma tartelete.
Refiro-me também à doçaria tradicional portuguesa tal como doce de ovos simples ou com frutos secos como amêndoas ou nozes. Doces de grão ou feijão como os utilizados em pastéis e azevias, doce de gila com ovos moles...
Enfim, uma imensa diversidade de opções a explorar.
Uma das mais tradicionais e apreciadas é a tarte de maçã que faço sempre com maçã reineta cuja saborosa acidez contrasta com a massa doce.
Um destes dias resolvi adaptar a minha receita de bolo de requeijão e fazer uma requeijada em base de tarte. Ficou deliciosa.
Adoro a base de uma boa tarte, uma massa amanteigada, ligeiramente doce intensificado por uma pitada de sal, crocante que se desfaz na boca.
Eu prefiro as massas areadas.
A base não é só o recipiente para o recheio.
É o contraste que o realça.
O mais maravilhoso é a variedade de recheios que se podem fazer.
Cremes frescos e queijos creme combinados com fruta em polpa, em puré ou em doce.
Cremes alimonados perfeitos para tartes merengadas.
Calculo que qualquer doce de colher pode ser utilizado como recheio de uma tartelete.
Refiro-me também à doçaria tradicional portuguesa tal como doce de ovos simples ou com frutos secos como amêndoas ou nozes. Doces de grão ou feijão como os utilizados em pastéis e azevias, doce de gila com ovos moles...
Enfim, uma imensa diversidade de opções a explorar.
Uma das mais tradicionais e apreciadas é a tarte de maçã que faço sempre com maçã reineta cuja saborosa acidez contrasta com a massa doce.
Um destes dias resolvi adaptar a minha receita de bolo de requeijão e fazer uma requeijada em base de tarte. Ficou deliciosa.
Na primavera fiz uma série de tarteletes com recheio de creme de limão enriquecido com puré de várias frutas. Ficaram lindas e foram muito apreciadas.
No início do outono também fiz experiências com pêras.
Primeiro com um creme de amêndoa e depois com uma ganache de chocolate.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
Um estigma e uma catarse
Quando digo que a minha área de formação é gestão e marketing e acrescento, com pudor que agora tenho finalmente disponibilidade para me dedicar à paixão de uma vida inteira, a culinária, o que na verdade estou a dizer é que estou desempregada.
Foi assim aos 48 anos quando os novos donos da empresa onde trabalhei 18 anos, em apenas um ano a descapitalizaram utilizando-a para negócios desastrosos, engenharias financeiras e desviando todos os bens móveis e imóveis ficaram a dever a fornecedores, ao estado e a todos os empregados.
Alegando insolvência não acataram a condenação do Tribunal de Trabalho para pagar os créditos salariais e as indemnizações a todos os trabalhadores e ninguém recebeu nem um cêntimo.
Não sei nem quero saber dessa gente que voltou para o norte.
Não sei se se safaram ou se caíram em desgraça. Ainda assim sinto uma revolta natural com a impunidade de quem age com má fé e incompetência e sei que nunca hão-de ser empresários bem sucedidos porque não tem inteligência nem integridade para tal.
Como tanta gente, tive de me adaptar a viver com menos, muito menos, no entanto até me considero sortuda porque apesar de a minha vida ter levado uma volta, tenho o apoio e a ajuda da família e boas amizades.
Felizmente as minhas queridas filhas já não dependem de mim e têm trabalho e boas perspectivas profissionais. Nada é garantido mas não vale a pena ter medo do futuro, é o que lhes digo incentivando-as a viverem intensamente.
Mesmo tentando manter uma atitude positiva o tempo passa e parece-me que tenho cada vez menos hipóteses, Sinto-me cada vez mais desenquadrada do sistema.
Quanto a emprego, não tenho ilusões, sou demasiado velha para o mercado de trabalho e demasiado nova para a reforma. Permaneço no limbo enviando curriculuns sem obter uma resposta, uma entrevista.
No ano passado, tentando transformar a minha situação numa oportunidade decidi fazer um curso de cozinha e optei pelo curso intensivo de Pastelaria na ACPP.
Porque gostando de cozinhar, de explorar sabores com intuição e capacidade de improviso, considerei que me faltava técnica para dominar a alquimia dos doces.
O curso foi muito interessante mas ficou aquém das minhas expectativas, talvez por serem demasiado elevadas...
Ainda sonhei com cursos em prestigiadas escolas de cozinha em Paris ou Barcelona mas tive de me render à evidência de que não estavam ao meu alcance.
Tentei complementar a formação com vários estágios em locais com características diferentes mas acabei por só fazer um onde durante dois meses experienciei uma verdadeira cozinha profissional, observei a organização do espaço e dos processos, o trabalho das brigadas, a importância da equipa por trás do serviço de restauração e catering. É um trabalho árduo, pesado que se sustenta na força da juventude.
Se alguma vez pensei que numa cozinha seria mais importante os conhecimentos e a experiência do que a idade enganei-me, é um meio sexista e muito competitivo.
Apesar do número de desempregados ter disparado devido à crise económica/financeira e das políticas implementadas nestes últimos anos, não obstante ser fácil sentirmo-nos vítimas do sistema há várias formas de enfrentar a situação e nenhuma é branda.
Para mim é um embaraço, é quase uma vergonha perder o estatuto que com deveres nos dá direitos. Um estigma.
Pior do que a tristeza de perder o prestígio da utilidade é não encontrar uma solução.
O tempo passa e o acordar de manhã é demasiadas vezes vazio de objectivos.
Sobra tempo para pensar. Pensar demasiado faz-nos reféns da mente e não se pode menosprezar o poder da mente.
Não sou pessoa de me queixar e defendo-me com uma imagem de positivismo, de pragmatismo muito séptico que talvez não atraia simpatias, que certamente não inspira complacência.
Nem sempre é fácil ser forte e não mostrar as fragilidades.
Só eu conheço os meus demónios.
Atormenta-me olhar o futuro sem perspectivas.
Este projecto de "O doce nunca amargou" não levanta voo também porque não consigo estabelecer um rumo.
Por razões alheias à minha vontade mas cuja responsabilidade consciente é minha, ainda não solidificou as bases, não ganhou estrutura de negócio sustentável.
Alterno entre dias de entusiasmo e de desalento.
Alguma coisa estou a fazer mal e não são os doces que esses são deliciosos.
Além da minha pouca fé na conjuntura, sei demasiado bem como funciona o empreendedorismo neste país e o horror de dificuldades e exigências que sugam uma empresa.
Na verdade admiro quem se aventure nesta ditadura fiscal. Mas vejo, desanimada, quantos caiem e quantos de levantam.
Quando as dúvidas me invadem fantasio com alguém que acredite, que me apoie que me complemente e me ajude a levar avante esta ideia.
Há por aí alguém que se queira associar?
Num sonho muito antigo vejo-me numa quinta com uma bela horta, árvores de fruto e alguns animais de criação.
Um espaço acolhedor onde recebo os viandantes com a hospitalidade de um povo.
Rústico e despretensioso onde quem chega se sente em casa mas com os benefícios de um hotel de charme em harmonia com a natureza envolvente.
Vejo-me cozinhando com paixão os alimentos frescos e locais, criando refeições sedutoras e equilibradas com um mimo doce para finalizar.
Há por aí algum sítio assim que me queira como anfitriã?
Foi assim aos 48 anos quando os novos donos da empresa onde trabalhei 18 anos, em apenas um ano a descapitalizaram utilizando-a para negócios desastrosos, engenharias financeiras e desviando todos os bens móveis e imóveis ficaram a dever a fornecedores, ao estado e a todos os empregados.
Alegando insolvência não acataram a condenação do Tribunal de Trabalho para pagar os créditos salariais e as indemnizações a todos os trabalhadores e ninguém recebeu nem um cêntimo.
Não sei nem quero saber dessa gente que voltou para o norte.
Não sei se se safaram ou se caíram em desgraça. Ainda assim sinto uma revolta natural com a impunidade de quem age com má fé e incompetência e sei que nunca hão-de ser empresários bem sucedidos porque não tem inteligência nem integridade para tal.
Como tanta gente, tive de me adaptar a viver com menos, muito menos, no entanto até me considero sortuda porque apesar de a minha vida ter levado uma volta, tenho o apoio e a ajuda da família e boas amizades.
Felizmente as minhas queridas filhas já não dependem de mim e têm trabalho e boas perspectivas profissionais. Nada é garantido mas não vale a pena ter medo do futuro, é o que lhes digo incentivando-as a viverem intensamente.
Mesmo tentando manter uma atitude positiva o tempo passa e parece-me que tenho cada vez menos hipóteses, Sinto-me cada vez mais desenquadrada do sistema.
Quanto a emprego, não tenho ilusões, sou demasiado velha para o mercado de trabalho e demasiado nova para a reforma. Permaneço no limbo enviando curriculuns sem obter uma resposta, uma entrevista.
No ano passado, tentando transformar a minha situação numa oportunidade decidi fazer um curso de cozinha e optei pelo curso intensivo de Pastelaria na ACPP.
Porque gostando de cozinhar, de explorar sabores com intuição e capacidade de improviso, considerei que me faltava técnica para dominar a alquimia dos doces.
O curso foi muito interessante mas ficou aquém das minhas expectativas, talvez por serem demasiado elevadas...
Ainda sonhei com cursos em prestigiadas escolas de cozinha em Paris ou Barcelona mas tive de me render à evidência de que não estavam ao meu alcance.
Tentei complementar a formação com vários estágios em locais com características diferentes mas acabei por só fazer um onde durante dois meses experienciei uma verdadeira cozinha profissional, observei a organização do espaço e dos processos, o trabalho das brigadas, a importância da equipa por trás do serviço de restauração e catering. É um trabalho árduo, pesado que se sustenta na força da juventude.
Se alguma vez pensei que numa cozinha seria mais importante os conhecimentos e a experiência do que a idade enganei-me, é um meio sexista e muito competitivo.
Para mim é um embaraço, é quase uma vergonha perder o estatuto que com deveres nos dá direitos. Um estigma.
Pior do que a tristeza de perder o prestígio da utilidade é não encontrar uma solução.
O tempo passa e o acordar de manhã é demasiadas vezes vazio de objectivos.
Sobra tempo para pensar. Pensar demasiado faz-nos reféns da mente e não se pode menosprezar o poder da mente.
Não sou pessoa de me queixar e defendo-me com uma imagem de positivismo, de pragmatismo muito séptico que talvez não atraia simpatias, que certamente não inspira complacência.
Nem sempre é fácil ser forte e não mostrar as fragilidades.
Só eu conheço os meus demónios.
Atormenta-me olhar o futuro sem perspectivas.
Este projecto de "O doce nunca amargou" não levanta voo também porque não consigo estabelecer um rumo.
Por razões alheias à minha vontade mas cuja responsabilidade consciente é minha, ainda não solidificou as bases, não ganhou estrutura de negócio sustentável.
Alterno entre dias de entusiasmo e de desalento.
Alguma coisa estou a fazer mal e não são os doces que esses são deliciosos.
Além da minha pouca fé na conjuntura, sei demasiado bem como funciona o empreendedorismo neste país e o horror de dificuldades e exigências que sugam uma empresa.
Na verdade admiro quem se aventure nesta ditadura fiscal. Mas vejo, desanimada, quantos caiem e quantos de levantam.
Quando as dúvidas me invadem fantasio com alguém que acredite, que me apoie que me complemente e me ajude a levar avante esta ideia.
Há por aí alguém que se queira associar?
Num sonho muito antigo vejo-me numa quinta com uma bela horta, árvores de fruto e alguns animais de criação.
Um espaço acolhedor onde recebo os viandantes com a hospitalidade de um povo.
Rústico e despretensioso onde quem chega se sente em casa mas com os benefícios de um hotel de charme em harmonia com a natureza envolvente.
Vejo-me cozinhando com paixão os alimentos frescos e locais, criando refeições sedutoras e equilibradas com um mimo doce para finalizar.
Há por aí algum sítio assim que me queira como anfitriã?
terça-feira, 20 de outubro de 2015
Receita da Sopa de Courgette e Maçã
Graças a vários pedidos feitos pessoalmente vou partilhar a receita de sopa que preparei depois do meu passeio a Sintra.
Em casa dos meus pais sempre me lembro de a sopa ser feita num panelão enorme e era geralmente um creme de legumes com folhas verdes adicionadas no fim, espinafres, nabiças, agrião ou feijão verde. Também havia as canjas e caldo de carne que nunca apreciei muito. E as sopas de puré de grão e puré de feijão com massinhas que sempre adorei.
Quando as minhas bebés começaram a comer sopas fazia-lhes uns caldos de borrego com variação de legumes; caldos muito nutritivos que as ajudaram a crescer fortes e saudáveis mas cujo cheiro me agoniava apesar de eu adorar borrego.
Confesso que durante muitos anos não fui nada criativa na confecção de sopas, optando sempre pelas fáceis e preferidas das minhas filhas. Isto de alimentar uma família tem prioridades e nessa altura o trabalho não me deixava muitas horas livres e quando chegava a casa tinha que ser prática na cozinha para ter tempo para elas e para outros afazeres.
Sempre gostei de inventar e agora tenho tempo e não estou condicionada pelas esquisitices de ninguém. A maior parte das vezes cozinho só para mim, o que poderia ser um pouco triste mas não é porque o faço com prazer e porque me dá total liberdade para experiências que vou aperfeiçoando para partilhar assim que tenho oportunidade.
Sopa de Courgette e Maçã
Ingredientes:
Em casa dos meus pais sempre me lembro de a sopa ser feita num panelão enorme e era geralmente um creme de legumes com folhas verdes adicionadas no fim, espinafres, nabiças, agrião ou feijão verde. Também havia as canjas e caldo de carne que nunca apreciei muito. E as sopas de puré de grão e puré de feijão com massinhas que sempre adorei.
Quando as minhas bebés começaram a comer sopas fazia-lhes uns caldos de borrego com variação de legumes; caldos muito nutritivos que as ajudaram a crescer fortes e saudáveis mas cujo cheiro me agoniava apesar de eu adorar borrego.
Confesso que durante muitos anos não fui nada criativa na confecção de sopas, optando sempre pelas fáceis e preferidas das minhas filhas. Isto de alimentar uma família tem prioridades e nessa altura o trabalho não me deixava muitas horas livres e quando chegava a casa tinha que ser prática na cozinha para ter tempo para elas e para outros afazeres.
Sempre gostei de inventar e agora tenho tempo e não estou condicionada pelas esquisitices de ninguém. A maior parte das vezes cozinho só para mim, o que poderia ser um pouco triste mas não é porque o faço com prazer e porque me dá total liberdade para experiências que vou aperfeiçoando para partilhar assim que tenho oportunidade.
Sopa de Courgette e Maçã
Ingredientes:
- 1 cebola média
- 1 dente de alho
- 1 pedacinho de gengibre fresco
- 1 cenoura grande
- 2 courgettes grandes
- 2 maçãs grandes
- azeite qb
- sal qb
- pimenta qb
Preparação:
Cobrir o fundo do tacho com azeite e juntar a cebola, o alho e o gengibre tudo cortado em pequenos pedaços e colocar em lume brando.
Quando a cebola ficar translúcida juntar a cenoura e as courgettes cortadas em pedacinhos.
Temperar com sal e pimenta.
Mexer e cobrir com água a ferver.
Tapar o tacho e deixar cozer durante 10 minutos.
Adicionar as maçãs descascadas e cortadas em pequenos pedaços e deixar ferver mais 10 minutos.
Desligar o lume e triturar muito bem com a varinha mágica.
Notas:
Usei as courgettes com casca ficando o creme mais esverdeado e com pintinhas verde escuro.
Usei maçãs starking ainda verdes e com alguma acidez.
Quando a cebola ficar translúcida juntar a cenoura e as courgettes cortadas em pedacinhos.
Temperar com sal e pimenta.
Mexer e cobrir com água a ferver.
Tapar o tacho e deixar cozer durante 10 minutos.
Adicionar as maçãs descascadas e cortadas em pequenos pedaços e deixar ferver mais 10 minutos.
Desligar o lume e triturar muito bem com a varinha mágica.
Notas:
Usei as courgettes com casca ficando o creme mais esverdeado e com pintinhas verde escuro.
Usei maçãs starking ainda verdes e com alguma acidez.
quarta-feira, 15 de abril de 2015
Quartos de século, filhas e bolos
O meu primeiro quarto de século foi de crescimento, formação e aventuras. Não tantas como eu gostaria de ter tido...
Há 25 anos nasceu a minha primogénita.
Há 25 anos nasceu a minha primogénita.
A filha que me transformou em mãe e mudou o sentido da minha vida com todo o encanto, a responsabilidade e a dedicação essencial.
Com a maternidade vem a descoberta de um amor incondicional criador de laços impossíveis de desatar. A importância de um caminho feito de tantos passos em que a prioridade foi projectar as filhas para a vida, para a liberdade com coragem e confiança, determinação e personalidade.
Com a maternidade vem a descoberta de um amor incondicional criador de laços impossíveis de desatar. A importância de um caminho feito de tantos passos em que a prioridade foi projectar as filhas para a vida, para a liberdade com coragem e confiança, determinação e personalidade.
O primeiro dela corresponde ao meu segundo quarto de século.
Curiosamente foi antes de ela nascer, durante a gravidez, que eu me dediquei á confecção de bolos que vendia a alguns restaurantes em Lisboa e na linha de Cascais.
Foi por acaso que comecei mas o que principiou por ser um desafio, uma provocação graciosa, tornou-se numa actividade intensa.
Não vendia a muitos restaurantes mas alguns tornaram-se clientes regulares e exigentes. Não tinha mãos a medir e às vezes precisava mesmo de pedir ajuda, mas todos os dias de manhã lá ía eu no meu carro fazer entregas, eu e a minha barriguita que ía crescendo a olhos vistos, qual bolinho no forno.
Ali para os lados do Jardim Constantino havia um restaurante do qual não me lembro o nome, que após experimentar vários bolos passou a encomendar-me sobretudo bolos Floresta Negra. Eu fazia a receita da tia A que a trouxe de Inglaterra onde viveu alguns anos. Além de ser excelente, cá era bastante original e talvez por isso este restaurante o tornou a sobremesa fatiada mais servida, e tinha imensa saída!
O Dom Pepe, na Parede só queria doces conventuais, era um ror de Trouxas de Ovos, Morgados, Fidalgos, Doce de Ovos e até Fatias de Tomar (há quem lhes chame da China o que desagrada sobre maneira os Tomarenses). Lá recorri eu uma vez mais à tia A que me emprestou uma panela especial feita em Tomar, engenhoso utensílio no qual se introduz a forma oval e abaulada, com as gemas batidos para serem cozidas em banho-maria. A referida panela tinha uma espécie de chaminé afunilada pela qual se acrescentava água a ferver de modo a manter durante toda a cozedura, cerca de uma hora, a forma totalmente mergulhada.
Era uma lufa-lufa que durou até à véspera do dia em que a minha filha nasceu.
Depois não tive mais disponibilidade até porque passados dezanove meses tive outra menina e optei por um trabalho na minha área da formação e de horário mais compatível com a família. Os bolos e outros cozinhados foram sendo feitos apenas para os de casa ou para festas e reuniões familiares ou de amigos.
Agora, orgulhosa das minhas filhas já criadas e independentes, início um novo quarto de século com toda a disponibilidade e motivação para me dedicar à culinária, sobretudo pastelaria e doçaria.
Curiosamente foi antes de ela nascer, durante a gravidez, que eu me dediquei á confecção de bolos que vendia a alguns restaurantes em Lisboa e na linha de Cascais.
Foi por acaso que comecei mas o que principiou por ser um desafio, uma provocação graciosa, tornou-se numa actividade intensa.
Não vendia a muitos restaurantes mas alguns tornaram-se clientes regulares e exigentes. Não tinha mãos a medir e às vezes precisava mesmo de pedir ajuda, mas todos os dias de manhã lá ía eu no meu carro fazer entregas, eu e a minha barriguita que ía crescendo a olhos vistos, qual bolinho no forno.
Ali para os lados do Jardim Constantino havia um restaurante do qual não me lembro o nome, que após experimentar vários bolos passou a encomendar-me sobretudo bolos Floresta Negra. Eu fazia a receita da tia A que a trouxe de Inglaterra onde viveu alguns anos. Além de ser excelente, cá era bastante original e talvez por isso este restaurante o tornou a sobremesa fatiada mais servida, e tinha imensa saída!
O Dom Pepe, na Parede só queria doces conventuais, era um ror de Trouxas de Ovos, Morgados, Fidalgos, Doce de Ovos e até Fatias de Tomar (há quem lhes chame da China o que desagrada sobre maneira os Tomarenses). Lá recorri eu uma vez mais à tia A que me emprestou uma panela especial feita em Tomar, engenhoso utensílio no qual se introduz a forma oval e abaulada, com as gemas batidos para serem cozidas em banho-maria. A referida panela tinha uma espécie de chaminé afunilada pela qual se acrescentava água a ferver de modo a manter durante toda a cozedura, cerca de uma hora, a forma totalmente mergulhada.
Era uma lufa-lufa que durou até à véspera do dia em que a minha filha nasceu.
Depois não tive mais disponibilidade até porque passados dezanove meses tive outra menina e optei por um trabalho na minha área da formação e de horário mais compatível com a família. Os bolos e outros cozinhados foram sendo feitos apenas para os de casa ou para festas e reuniões familiares ou de amigos.
Agora, orgulhosa das minhas filhas já criadas e independentes, início um novo quarto de século com toda a disponibilidade e motivação para me dedicar à culinária, sobretudo pastelaria e doçaria.
terça-feira, 24 de março de 2015
Lemon and Fresh Fruit Curd Tartlets
Ideias nunca me faltaram.
Umas mais loucas que outras, umas fantasiosas, outras banais.
Algumas deram-me boas oportunidades e resolveram problemas ou desafios.
Por uma razão ou outra, a maior parte ficou arquivada ou esquecida na minha cabeça.
Durante muitos anos não assumi a criatividade na cozinha, em vez de dizer _ criei este prato, dizia _ fiz isto à minha maneira.
É verdade que as minhas versões sempre foram bastante apreciadas, e meu toque geralmente melhorava as receitas.
A criatividade também se revela numa forma diferente de fazer, um método também pode ser inovador.
O que mais gosto na cozinha é a magia da mistura dos ingredientes, as combinações possíveis ou improváveis. Por vezes é subjectivo o conceito de combinações perfeitas mas o resultado pode ser surpreendente.
Essencial é dominar as técnicas e conseguir imaginar junções de sabores e cheiros.
Também é preciso sorte e perseverança porque nem sempre se obtém os melhores resultados à primeira.
A meu ver, nos salgados há mais margem para o improviso e nos doces tem de haver mais rigor.
Ao fim de imensas experiências consegui fazer a massa perfeita para tartes e tarteletes doces. Para o recheio juntei um creme de limão com polpa de fruta fresca. E para finalizar decorei com merengue italiano queimado.
Assim, apresento a minha Colecção Primavera 2015.
Umas mais loucas que outras, umas fantasiosas, outras banais.
Algumas deram-me boas oportunidades e resolveram problemas ou desafios.
Por uma razão ou outra, a maior parte ficou arquivada ou esquecida na minha cabeça.
Durante muitos anos não assumi a criatividade na cozinha, em vez de dizer _ criei este prato, dizia _ fiz isto à minha maneira.
É verdade que as minhas versões sempre foram bastante apreciadas, e meu toque geralmente melhorava as receitas.
A criatividade também se revela numa forma diferente de fazer, um método também pode ser inovador.
O que mais gosto na cozinha é a magia da mistura dos ingredientes, as combinações possíveis ou improváveis. Por vezes é subjectivo o conceito de combinações perfeitas mas o resultado pode ser surpreendente.
Essencial é dominar as técnicas e conseguir imaginar junções de sabores e cheiros.
Também é preciso sorte e perseverança porque nem sempre se obtém os melhores resultados à primeira.
A meu ver, nos salgados há mais margem para o improviso e nos doces tem de haver mais rigor.
Ao fim de imensas experiências consegui fazer a massa perfeita para tartes e tarteletes doces. Para o recheio juntei um creme de limão com polpa de fruta fresca. E para finalizar decorei com merengue italiano queimado.
Assim, apresento a minha Colecção Primavera 2015.
![]() |
| Tarteletes de Creme de Limão e Fruta Fresca |
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| Clementina |
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| Mirtilo |
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| Manga |
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| Morango |
domingo, 15 de março de 2015
Primeiro desafio culinário
Depois, nas férias de verão, começámos a ir para outras praias Sesimbra, Praia da Luz, Manta Rota e o esquema já era diferente. A miudagem ficava o tempo todo, geralmente um mês, e os adultos iam-se revezando conforme os compromissos de trabalho.
No verão dos meus 17 anos, depois de passar um mês na Praia da Luz fui, com outros tios e primos, mais duas semanas para a Manta Rota.
Nesse ano eu estava super bronzeada, mesmo morena, de tanto sol que apanhei.
Não me recordo porquê, pois nunca tive o hábito de me gabarolar mas a fama das minhas lulas recheadas fez com que num belo dia eu fosse desafiada a fazer o almoço.
A compra dos ingredientes foi feita no mercado ao pé da praia, tudo fresquíssimo.
E fomos para a cozinha, eu e as minhas tias.
Eu era a chefe e elas muito queridas ajudavam a picar as cebola, os alho, a pelar tomate, uma trabalheira porque o prato é complicado e a quantidade era muita, para dez pessoas.
E o almoço tardava pois o recheio faz-se primeiro, depois enche-se as lulas e volta-se ao princípio de outra tomatada. Eu orientava as tias, tomava decisões, calculava as quantidades e os tempos, eu temperava e juntava os "pózinhos de perlimpimpim" como ainda costumo dizer.
E o almoço tardava mas já cheirava bem. E enquanto as lulas apuravam fizemos o puré de batata à minha maneira e uma grande salada de alface.
Entretanto a miudagem, a prima E e os homens chegaram da praia.
O meu primo JM, trocista como só ele, começou logo a dizer à mulher para lhe preparar qualquer coisa para comer porque não confiava na minha falta de habilitações para cozinhar e que a comida não ía ficar capaz, e isto e mais aquilo, e não se calava com a chacota.
Se eu não o conhecesse de ginjeira, teria ficado ofendida, mas assim fiquei apenas ligeiramente melindrada e enchi-me de brios para que tudo ficasse perfeito.
E ficou.
As lulas tenrinhas, doces e picantes, mesmo saborosas.
O puré com a consistência certa acompanhava e acolhia o molho das lulas voluptuosamente.
A salada bem temperada refrescava o prato. Perfeito.
Todos comeram satisfeitos e repetiram a dose elogiando o meu jeito precoce para a cozinha.
O meu primo JM que já tinha comido uma sandes, sentado na cadeira de balouço troçava ostensivamente e tardava em vir para a mesa.
Por fim, após grande insistência das tias e da prima E, sua mulher, lá se sentou à frente de um prato servido com parcimónia e provou, degustou e comeu, e olhou para mim com uma expressão de satisfação e espanto que nunca mais esqueço.
E quis repetir mas já não havia mais.
Ah! Ah! Ah!
No verão dos meus 17 anos, depois de passar um mês na Praia da Luz fui, com outros tios e primos, mais duas semanas para a Manta Rota.
Nesse ano eu estava super bronzeada, mesmo morena, de tanto sol que apanhei.
Não me recordo porquê, pois nunca tive o hábito de me gabarolar mas a fama das minhas lulas recheadas fez com que num belo dia eu fosse desafiada a fazer o almoço.
A compra dos ingredientes foi feita no mercado ao pé da praia, tudo fresquíssimo.
E fomos para a cozinha, eu e as minhas tias.
Eu era a chefe e elas muito queridas ajudavam a picar as cebola, os alho, a pelar tomate, uma trabalheira porque o prato é complicado e a quantidade era muita, para dez pessoas.
E o almoço tardava pois o recheio faz-se primeiro, depois enche-se as lulas e volta-se ao princípio de outra tomatada. Eu orientava as tias, tomava decisões, calculava as quantidades e os tempos, eu temperava e juntava os "pózinhos de perlimpimpim" como ainda costumo dizer.
E o almoço tardava mas já cheirava bem. E enquanto as lulas apuravam fizemos o puré de batata à minha maneira e uma grande salada de alface.
Entretanto a miudagem, a prima E e os homens chegaram da praia.
O meu primo JM, trocista como só ele, começou logo a dizer à mulher para lhe preparar qualquer coisa para comer porque não confiava na minha falta de habilitações para cozinhar e que a comida não ía ficar capaz, e isto e mais aquilo, e não se calava com a chacota.
Se eu não o conhecesse de ginjeira, teria ficado ofendida, mas assim fiquei apenas ligeiramente melindrada e enchi-me de brios para que tudo ficasse perfeito.
E ficou.
As lulas tenrinhas, doces e picantes, mesmo saborosas.
O puré com a consistência certa acompanhava e acolhia o molho das lulas voluptuosamente.
A salada bem temperada refrescava o prato. Perfeito.
Todos comeram satisfeitos e repetiram a dose elogiando o meu jeito precoce para a cozinha.
O meu primo JM que já tinha comido uma sandes, sentado na cadeira de balouço troçava ostensivamente e tardava em vir para a mesa.
Por fim, após grande insistência das tias e da prima E, sua mulher, lá se sentou à frente de um prato servido com parcimónia e provou, degustou e comeu, e olhou para mim com uma expressão de satisfação e espanto que nunca mais esqueço.
E quis repetir mas já não havia mais.
Ah! Ah! Ah!
sábado, 24 de janeiro de 2015
O bolo da minha vida
O bolo de aniversário da minha vida é o colchão da noiva.
É uma receita das mulheres da minha família paterna, a avó Q e as tias prendadas.
Mas a minha mãe é que tinha as formas perfeitas para o fazer, digo tinha porque apoderei-me delas há muitos anos.
São três formas redondas com as dimensões perfeitas para fazer o bolo em três camadas, recheadas e cobertas com chantilly.
Com a minha mania de inventar fui fazendo diferentes apresentações.
Numa determinada época cobria-o no fim com um molho de chocolate brilhante a escorrer pelos lados.
Às vezes decorava-o com morangos, toda a gente sabe como combinam bem os morangos e o chantilly.
Mais tarde tornei-o perfeito acrescentando doce de ovos.
Toda a vida me lembro de o fazer para o meu aniversário e o dos meus amores, para além de outras festas e sempre que me pediam.
A receita original dizia para cozer a massa num tabuleiro rectangular, cortar ao meio e sobrepor as metades fazendo um bolo de duas camadas altas.
Mas o bolo com as três camadas finas faz toda a diferença.
Além disso, o segredo deste bolo está também na massa leve e fofa.
E um segredo é um segredo, por isso nada mais digo.
Se quiserem provar é só pedir ;-)
É uma receita das mulheres da minha família paterna, a avó Q e as tias prendadas.
Mas a minha mãe é que tinha as formas perfeitas para o fazer, digo tinha porque apoderei-me delas há muitos anos.
São três formas redondas com as dimensões perfeitas para fazer o bolo em três camadas, recheadas e cobertas com chantilly.
Numa determinada época cobria-o no fim com um molho de chocolate brilhante a escorrer pelos lados.
Às vezes decorava-o com morangos, toda a gente sabe como combinam bem os morangos e o chantilly.
Mais tarde tornei-o perfeito acrescentando doce de ovos.
Toda a vida me lembro de o fazer para o meu aniversário e o dos meus amores, para além de outras festas e sempre que me pediam.
A receita original dizia para cozer a massa num tabuleiro rectangular, cortar ao meio e sobrepor as metades fazendo um bolo de duas camadas altas.
Mas o bolo com as três camadas finas faz toda a diferença.
Além disso, o segredo deste bolo está também na massa leve e fofa.
E um segredo é um segredo, por isso nada mais digo.
Se quiserem provar é só pedir ;-)
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