A grande vantagem da comida no verão é a frescura e a leveza das saladas.
Adoro!
Receitas para quê?
Estou a referir-me a saladas cruas de legumes frescos.
O procedimento é lavar, eventualmente descascar, cortar, misturar e temperar.
Qual é a dúvida? Não é preciso fazer nenhum workshop... Digo eu...
Basta escolher uma base como alface, tomate, rúcula, couve coração. couve chinesa, courgette, cenoura, espinafres, e juntar ingredientes que combinem ao gosto de cada um.
É do conhecimento geral que o tomate combina bem com manjericão, com orégãos e com cebola, com queijos frescos, mozarela de bufala, requeijão ou o nosso tradicional queijinho fresco de leite de cabra.
Até há uma salada italiana famosa com estes ingredientes, a salada caprese.
Temperar com flor de sal, bom azeite e um vinagre suave como o de cidra.
Para um toque extra, acrescentar uns fios de creme de vinagre balsâmico.
Uma das salada tradicionais portuguesas é de tomate e pepino.
A alface é muito versátil, combina bem com quase tudo.
Couve roxa, cenoura, rúcula, milho doce cozido, pepino, agrião.
Fruta como maçã, pêssego, alperce, morangos, banana, abacaxi, laranja, é só escolher.
Também é bom juntar alguma proteína, ovo cozido, queijo em cubinhos ou em lascas no caso dos queijos mais rijos, presunto ou fiambre de frango fumado (é o único fiambre de que gosto), qualquer fruto seco, sementes de abóbora, girassol, linhaça.
A ideia é escolher alguns produtos, ir variando, e assim conseguir uma imensa variedade de combinações.
Eu gosto de comer rúcula sem tempero, aprecio o seu travo intenso e apimentado a acompanhar, por exemplo, uma fatia de carne assada, mas a salada de rúcula mais conhecida é com lascas de queijo parmesão, nozes e um molho vinagrete.
Uma salada de cenoura cortada em palitos finos e couve coração cortada em juliana, temperada com um molho agridoce, tipo molho asiático, fica uma delícia.
Escolho sempre courgettes pequenas por causa da consistência interior mais firme, com menos água e menos sementes.
Tal como a cenoura deve ser cortada em palitos finos, em vez de ralada, para ficar crocante.
Utilizando um espiralizador consegue-se um efeito "esparguete" muito apelativo.
Um molho de sumo de limão, sal, pimenta preta, malagueta picada sem sementes, hortelã picada fininha e azeite, é o tempero perfeito para uma salada de courgette.
Se usar coentros em vez da hortelã obtém-se um molho mais tipicamente português, mais alentejano.
A couve coração, a couve chinesa ou outra assim macia, pode ser misturada com outros vegetais, mas também fica excelente sozinha temperada com um chutney ou um pesto.
Estas saladas são uma refeição completa e equilibrada.
Porém também podem ser aprimoradas com um peito de frango ou uma lombo de salmão grelhado.
É bom arriscar, misturar sabores, dar asas à criatividade e fazer deliciosas saladas de improviso.
Saladas que merecem receita são as improváveis, como a de maçã, aipo e sementes de sésamo que partilhei no ano passado aqui no blog, no separador das Receitas.
Mostrar mensagens com a etiqueta Aprender. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Aprender. Mostrar todas as mensagens
domingo, 30 de outubro de 2016
sexta-feira, 28 de outubro de 2016
Palavras para quê?
Esta fotografia foi tirada no final de Maio quando recomecei as minhas caminhadas depois de um inverno e início de primavera chuvoso.
Apesar de me pesar e de medir os vários perímetros do corpo regularmente, desde que iniciei o meu regime de emagrecimento, o espanto, direi mesmo, o choque, de ver assim a flagrante diferença do antes e do depois, foi emocionante.
A satisfação de conseguir fazer os habituais oito quilómetros mais rapidamente, sem dores nas costas nem nos joelhos, sem sentir o cansaço que me tirava o fôlego, foi altamente motivadora.
Agora estou ainda mais leve e sinto-me ainda melhor e com mais energia.
Não pretendo ficar magra, mais a mais que a partir de uma certa idade isso ressente-se na cara e eu prefiro ter uma carinha laroca que parece mais nova do que eu.
Só quero sentir-me bem com o meu corpo e não ter problemas de saúde.
Há quem me pergunte, até com algum ressentimento que não entendo:
_ Mas ainda estás a fazer dieta?!
_ Não propriamente. Apenas mudei os meus hábitos alimentares e estou contente com isso.
Agora sinto que posso, uma vez por outra, beber um copo de vinho à refeição ou degustar, num dia de festa, uma doce sobremesa.
Sem remorsos, sem culpas.
No dia a dia mantenho o equilíbrio com a comida que me faz bem.
São as alternativas que inventei ou que adoptei, os truques e as ideias que pretendo aqui partilhar.
Pode ser que sirvam de inspiração a mais alguém.
(história da vida real com continuação nos próximos episódios)
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
O que mudou na minha alimentação?
Nove meses e menos 16 quilos depois, sinto-me muito melhor física e psicologicamente.
Gostava de perder mais quatro, mas parece que o meu organismo estabilizou e como passar fome está fora de causa, não é fácil consumir mais reservas adiposas.
Provavelmente só com um reforço exaustivo de exercício físico o consiga.
A ser verdade, o importante agora é manter este equilíbrio.
Para emagrecer não há alternativa - é necessário gastar mais calorias e consumir menos calorias.
Ir em modinhas só porque está na moda não faz o meu género.
Não aderi a dietas do paleolítico nem vegetarianas, não segui nenhum guru da nutrição moderna ou antiga. Não aceito fundamentalismos.
É evidente que gosto de ler tudo e mais alguma coisa sobre alimentação, regimes alternativos, dicas e receitas.
Informação bem escrutinada dá-me ferramentas para melhorar as minhas escolhas.
Estou convencida que cada um, se prestar atenção, percebe o seu corpo.
Saber o que me satisfaz, conhecer o que me sacia e não prescindir do que me dá prazer comer de forma saudável, é o verdadeiro segredo.
Tornar a comida saborosa evita pensar em guloseimas.
O que mudou na minha alimentação?
Na primeira fase, a mais intensiva, foi preciso implementar restrições drásticas.
Gostava de perder mais quatro, mas parece que o meu organismo estabilizou e como passar fome está fora de causa, não é fácil consumir mais reservas adiposas.
Provavelmente só com um reforço exaustivo de exercício físico o consiga.
A ser verdade, o importante agora é manter este equilíbrio.
Ir em modinhas só porque está na moda não faz o meu género.
Não aderi a dietas do paleolítico nem vegetarianas, não segui nenhum guru da nutrição moderna ou antiga. Não aceito fundamentalismos.
É evidente que gosto de ler tudo e mais alguma coisa sobre alimentação, regimes alternativos, dicas e receitas.
Informação bem escrutinada dá-me ferramentas para melhorar as minhas escolhas.
Estou convencida que cada um, se prestar atenção, percebe o seu corpo.
Saber o que me satisfaz, conhecer o que me sacia e não prescindir do que me dá prazer comer de forma saudável, é o verdadeiro segredo.
Tornar a comida saborosa evita pensar em guloseimas.
O que mudou na minha alimentação?
Na primeira fase, a mais intensiva, foi preciso implementar restrições drásticas.
Alimentos suprimidos
- Hidratos de carbono
- Bebidas alcoólicas
- Maionese, ketchup e outros molhos industriais
- Gorduras - manteiga, natas, banha, margarina
- Gorduras e peles das carnes
- Fritos
- os meus doces e sobremesas deliciosos
Nestes últimos anos comia regularmente este tipo de alimentos, mas sei que foi o excesso de doces e sobremesas, repletos de açúcar, farinha e manteiga, verdadeiras bombas calóricas, que provocaram a minha pré-obesidade.
Produtos proibidos
- Comida processada
- Comida pré-confeccionada (fresca ou congelada)
- Enchidos
- Refrigerantes
- Sumos e néctars industriais
- Bolos e outros produtos de pastelaria
Na verdade estes produtos interditos nunca fizeram parte da minha alimentação habitual.
Não aprecio chouriços, morcelas, salsichas, alheiras, fiambre, apenas no Cozido à Portuguesa que como no máximo duas ou três vezes por ano, gosto da farinheira, mas também posso passar sem ela.
Só muito raramente comia uma lasanha comprada no supermercado, por exemplo, mas costumava comprar esparregado pronto e congelado e deixei de o fazer porque tem muita gordura e outros ingredientes desnecessários e perniciosos.
É preferível comer legumes crus, cozidos ou assados.
Descobri uma forma fantástica, fácil e rápida, de cozer legumes em vapor, sem perda de nutrientes.
Reduzir o sal é importante, não só para a tensão arterial como para diminuir a retenção de líquidos.
Eu adoro beber água.
Beber muita água é extremamente importante, "lava" o aparelho digestivo, melhora o funcionamento dos rins o que é crucial para a saúde, melhora eventual problema da obstipação, e ainda "engana a fome" no intervalo das refeições.
Para quem não gosta de água pode optar por chá ou uma tisana, mas saibam que não é bem a mesma coisa.
Outro factor importantíssimo para o sucesso de uma dieta são as quantidades ingeridas e a frequência das refeições.
Há que reduzir a quantidade de comida que se coloca no prato e o estômago vai contraindo e ficando mais pequeno, logo come-se cada vez menos.
É comum recomendar comer de três em três horas, no entanto eu prefiro dar algum descanso ao estômago e só comer quando sinto fome o que varia entre as quatro e as cinco horas.
A melhor opção é aquela que funciona para cada pessoa conforme os seus hábitos, sendo fundamental evitar as ânsias de comer.
O stress é muitas vezes associado a distúrbios alimentares por isso convém evitar entrar nessa espiral de autodestruição.
Sentir-me bem com o meu corpo e ser saudável contribui para a minha felicidade.
Ser feliz é o melhor antídoto para o stress.
Não aprecio chouriços, morcelas, salsichas, alheiras, fiambre, apenas no Cozido à Portuguesa que como no máximo duas ou três vezes por ano, gosto da farinheira, mas também posso passar sem ela.
Só muito raramente comia uma lasanha comprada no supermercado, por exemplo, mas costumava comprar esparregado pronto e congelado e deixei de o fazer porque tem muita gordura e outros ingredientes desnecessários e perniciosos.
É preferível comer legumes crus, cozidos ou assados.
Descobri uma forma fantástica, fácil e rápida, de cozer legumes em vapor, sem perda de nutrientes.
Reduzir o sal é importante, não só para a tensão arterial como para diminuir a retenção de líquidos.
Eu adoro beber água.
Beber muita água é extremamente importante, "lava" o aparelho digestivo, melhora o funcionamento dos rins o que é crucial para a saúde, melhora eventual problema da obstipação, e ainda "engana a fome" no intervalo das refeições.
Para quem não gosta de água pode optar por chá ou uma tisana, mas saibam que não é bem a mesma coisa.
Outro factor importantíssimo para o sucesso de uma dieta são as quantidades ingeridas e a frequência das refeições.
Há que reduzir a quantidade de comida que se coloca no prato e o estômago vai contraindo e ficando mais pequeno, logo come-se cada vez menos.
É comum recomendar comer de três em três horas, no entanto eu prefiro dar algum descanso ao estômago e só comer quando sinto fome o que varia entre as quatro e as cinco horas.
A melhor opção é aquela que funciona para cada pessoa conforme os seus hábitos, sendo fundamental evitar as ânsias de comer.
O stress é muitas vezes associado a distúrbios alimentares por isso convém evitar entrar nessa espiral de autodestruição.
Sentir-me bem com o meu corpo e ser saudável contribui para a minha felicidade.
Ser feliz é o melhor antídoto para o stress.
(história da vida real com continuação nos próximos episódios)
terça-feira, 19 de abril de 2016
Doçaria Conventual em Portugal
Até 1834, ano em que foram extintas as ordens religiosas, os Conventos de freiras espalhados por todo o País confeccionavam e vendiam doces ricos em ovos e açúcar cujas receitas eram guardadas em grande segredo e até havia alguma rivalidade entre conventos que incentivava a criatividade das doceiras.
Após esta data e com o encerramento dos conventos as freiras refugiaram-se nas localidades próximas e as receitas foram sendo transmitidas às senhoras da terra por via oral e ainda em segredo.
Assim chegaram aos nossos dias e são produzidos em pequenos negócios familiares ou em fábricas de cariz artesanal.
Só no final do século XVII surge o primeiro livro de cozinha em Portugal enquanto que o primeiro livro de doçaria só foi editado em 1788 com o título "Arte Nova para Confeiteiros".
Após esta data e com o encerramento dos conventos as freiras refugiaram-se nas localidades próximas e as receitas foram sendo transmitidas às senhoras da terra por via oral e ainda em segredo.
Assim chegaram aos nossos dias e são produzidos em pequenos negócios familiares ou em fábricas de cariz artesanal.
Só no final do século XVII surge o primeiro livro de cozinha em Portugal enquanto que o primeiro livro de doçaria só foi editado em 1788 com o título "Arte Nova para Confeiteiros".
O famoso Pão-de-Ló de Alfeizerão presume-se que tenha tido origem no Mosteiro de Santa Maria de Cós perto de Alcobaça.
No entanto só se tornou famoso em finais do século XIX quando, segundo reza a história, uma doceira menos experiente e com pressa de servir o Rei D. Carlos I que estava de passagem por Alfeizerão, retirou antecipadamente o bolo do forno deixando-o mal cozido.
Surpreendentemente aquela preparação foi tão elogiada até pelo próprio Rei que o Pão-de-Ló passou a ser confeccionado dessa forma com excelentes resultados e assim nasce uma tradição local até hoje muito apreciada.
quinta-feira, 3 de março de 2016
Cooking Class - Receitas
A comida vietnamita é de uma maneira geral simples de cozinhar com sabor e texturas variadas, saudável e feita com produtos frescos.
Como já expliquei os pormenores importantes e os procedimentos em geral aqui ficam as receitas tal como nos foram entregues com quantidades indicadas para 6 pessoas.
Como já expliquei os pormenores importantes e os procedimentos em geral aqui ficam as receitas tal como nos foram entregues com quantidades indicadas para 6 pessoas.
- THIT LON KHO TAU - Stewed Pork wiht Caramel Sauce
Ingredients :
- 500g pork
- 2 TBS sugar
- 3 TBS water
- 1 tsp pepper
- 1 tsp fish sauce
- 10g spring onion
- 200g pork rinds (skin)
- 1 TBS chicken stock
Method :
Wash the pork carefully and then cut them coarsely.
Season the pork with pepper, chicken stock and fish sauce for about 5 minutes.
Add caramel sauce, pork rinds into sauced pork then cook them on low heat for about 1 hour.
Serve with tearm rice.
- NEM HA NOI - Hanoi Spring Rolls
Ingredients :
- 100g minced lean pork
- 50g carrots
- 100g bean sprouts
- 150g onions
- 10g spring onions
- 40g vermicelli
- 30g woodear (mushroom)
- 2 eggs
- 20 pc rice paper
- 20g shallots
- 1 tsp pepper
- 1 tsp sugar
Method :
Chop the bean sprouts, carrot, onions, spring onions, shallots seperatly then squeeze them lightly.
Soak the mushroom, vermicelli in hot water until it became soft, drain therm and chop into small pieces.
Add all above ingredients to pork, add beaten eggs, sugar and pepper, mix them well.
Now you have done the inside of spring rolls.
Place the rice paper on dish, put 1 TBS of mixture on and roll over to have round and long pieces (2x6 cm).
Deep fry the spring rolls twice until it become well-done (yellow coloured) nice, smelty and crispy.
Dumpling sauce :
Mix 1TBS sugar, 1/2 TBS vinegar, 1 TBS fish sauce, 3 TBS water, 1 tsp chopped garlic and 1 tsp chopped chilli.
Place the rice paper on dish, put 1 TBS of mixture on and roll over to have round and long pieces (2x6 cm).
Deep fry the spring rolls twice until it become well-done (yellow coloured) nice, smelty and crispy.
Dumpling sauce :
Mix 1TBS sugar, 1/2 TBS vinegar, 1 TBS fish sauce, 3 TBS water, 1 tsp chopped garlic and 1 tsp chopped chilli.
- NOM HOA CHUOI GA - Banana Flower Salad with Chicken
- 600g banana flower
- 300g chicken
- 200g bean sprouts
- 150g onions
- 100g star-fruit
- 150g toasted peanuts
- 50g toasted sesames
- 20g chopped garlic
- 10g chopped chilli
- 2 lemons
- 2 bunch hot mints
- salt, chicken stock powder, sugar, vinegar, fish sauce
Method :
Separate the lemon juice 1/2 for dressing, the rest using to soak the banana flower.
Slice the banana flower, soak in water with some lemon juice.
Slice the onion, soak in water with some vinegar.
Slice the star-fruits.
Clean the bean sprouts.
Marinate the chicken with salt, pepper, chicken stock powder, then steam it. When the chicken well-done, teart it.
Cut the hot mints into 1 cm.
Add the banana flower, onion, star-fruits, bean sprouts in another bowl, mix with dressing in a 5 minutes.
Separate the liquid then add in the teared chicken, chilli, garlic, peanuts, sesames, hot mints and mix well.
Remove the salad to a dish, serve cool.
Salad dressing :
Mix well 1 cup lemon juice with vinegar, 1 cup sugar, 3/4 cup fish sauce.
Receitas e aula em ORCHID RESTAURANT-VIETNAMESE COOKING CLASS - Ha Noi
Slice the banana flower, soak in water with some lemon juice.
Slice the onion, soak in water with some vinegar.
Slice the star-fruits.
Clean the bean sprouts.
Marinate the chicken with salt, pepper, chicken stock powder, then steam it. When the chicken well-done, teart it.
Cut the hot mints into 1 cm.
Add the banana flower, onion, star-fruits, bean sprouts in another bowl, mix with dressing in a 5 minutes.
Separate the liquid then add in the teared chicken, chilli, garlic, peanuts, sesames, hot mints and mix well.
Remove the salad to a dish, serve cool.
Salad dressing :
Mix well 1 cup lemon juice with vinegar, 1 cup sugar, 3/4 cup fish sauce.
Receitas e aula em ORCHID RESTAURANT-VIETNAMESE COOKING CLASS - Ha Noi
quarta-feira, 2 de março de 2016
Cooking Class - Cozinhar
Primeiro experimentámos o Vu Sua ou Breast-Milk Fruit e é realmente um fruto leitoso com um sabor que não sei bem descrever e ao tentar comparar com fruta mais vulgar entre nós, talvez encontre alguma semelhança com a pêra e um travo de fundo entre a amêndoa e o coco, uma delicia.
Então sim, avental posto e prontas para iniciar a aula.
Começámos por preparar a carne de porco, a marinada e o molho de caramelo porque demora 1 hora a estufar.
Não está na receita mas o chef fez o molho de caramelo com um pauzinho de canela e uma estrela de aniz.
A carne que mais utilizam é da barriga, aquilo que nós chamamos toucinho fresco ou entremeada, cortada em cubos.
Como eu gosto da gordura para dar sabor mas não tanto de a comer sugiro uma mistura com carne de porco da perna, por exemplo, cortada da mesma forma.
O vinagre utilizado é sempre o vinagre de arroz.
Com a carne de porco já ao lume preparámos o recheio dos rolinhos, com os legumes todos cortadinhos em juliana fina, os cogumelos e a vermicelli (massa de arroz tipo aletria muito usada na ásia para fazer noodles) hidratados e também cortados em pequenos pedaços.
Juntámos a carne também cortada bastante fina, as gemas dos ovos e os temperos.
Na receita está indicado 2 ovos batidos mas na aula o chef utilizou 3 gemas de ovos.
Depois montámos os spring rolls enrolando cada porção de recheio em papel de arroz dobrado meticulosamente e selado no fim com um pouco de clara de ovo.
O chef fritou os rolinhos uma primeira vez e deixou-os a escorrer em papel absorvente enquanto preparámos a salada.
O único ingrediente original nesta salada é a banana flower da qual só utilizámos as pétalas grandes que mais parecem folhas apesar da cor púrpura. É necessário mergulhá-las em água com sumo de limão ou vinagre para não oxidarem, ficarem castanhas e muito amargas.
A galinha é temperada e cozida ao vapor e todos os ingredientes são bem cortados.
Depois da salada temperada foi empratada pelo chef numa travessa com alguns efeitos decorativos.
O arroz branco tipo "unidos venceremos", tearm rice como eles lhe chamam, apareceu feito e o chef voltou a fritar os spring rolls desta vez até ficarem bem dourados e estaladiços.
Por fim foi posta a mesa com boa apresentação e nós almoçámos regaládamente.
Então sim, avental posto e prontas para iniciar a aula.
Começámos por preparar a carne de porco, a marinada e o molho de caramelo porque demora 1 hora a estufar.
Não está na receita mas o chef fez o molho de caramelo com um pauzinho de canela e uma estrela de aniz.
A carne que mais utilizam é da barriga, aquilo que nós chamamos toucinho fresco ou entremeada, cortada em cubos.
Como eu gosto da gordura para dar sabor mas não tanto de a comer sugiro uma mistura com carne de porco da perna, por exemplo, cortada da mesma forma.
O vinagre utilizado é sempre o vinagre de arroz.
Com a carne de porco já ao lume preparámos o recheio dos rolinhos, com os legumes todos cortadinhos em juliana fina, os cogumelos e a vermicelli (massa de arroz tipo aletria muito usada na ásia para fazer noodles) hidratados e também cortados em pequenos pedaços.
Juntámos a carne também cortada bastante fina, as gemas dos ovos e os temperos.
Na receita está indicado 2 ovos batidos mas na aula o chef utilizou 3 gemas de ovos.
Depois montámos os spring rolls enrolando cada porção de recheio em papel de arroz dobrado meticulosamente e selado no fim com um pouco de clara de ovo.
O chef fritou os rolinhos uma primeira vez e deixou-os a escorrer em papel absorvente enquanto preparámos a salada.
O único ingrediente original nesta salada é a banana flower da qual só utilizámos as pétalas grandes que mais parecem folhas apesar da cor púrpura. É necessário mergulhá-las em água com sumo de limão ou vinagre para não oxidarem, ficarem castanhas e muito amargas.
A galinha é temperada e cozida ao vapor e todos os ingredientes são bem cortados.
Depois da salada temperada foi empratada pelo chef numa travessa com alguns efeitos decorativos.
O arroz branco tipo "unidos venceremos", tearm rice como eles lhe chamam, apareceu feito e o chef voltou a fritar os spring rolls desta vez até ficarem bem dourados e estaladiços.
Por fim foi posta a mesa com boa apresentação e nós almoçámos regaládamente.
Cooking Class - Ingredientes
As férias no Vietname foram espectaculares.
Nunca tinha ido para paragens asiáticas e, por muito que já se tenha visto em filmes, documentários, revistas ou livros, a realidade a envolver-nos não tem comparação.
A cultura, os hábitos, o trânsito, a arquitectura, as pessoas, os cheiros, a comida tudo aquilo a que chamamos exótico ou não, porque de certa forma há sempre coisas que nos chocam.
Pela manhã apreende-se a crua realidade de uma cidade mas é à noite que se sente o seu verdadeiro pulsar, e esta descoberta foi incrível no Vietname.
Em Hanoi a minha filha agendou uma Cooking Class de comida tradicional vietnamita que se iniciava no mercado.
O próprio chef veio buscar-nos ao hotel e logo após ela ter escolhido o menu fomos às compras.
Como estávamos hospedadas na zona velha da cidade fomos ao mais antigo e tradicional mercado o Dong Xuan Market.
Este é um mercado sobretudo de produtos frescos que segundo o chef vêm todos os dias directamente das redondezas pela mão dos próprios produtores.
A oferta transcende o edifício principal e espalha-se pelas ruas adjacentes ocupando os passeios e organizando-se por tipos de produtos.
Conforme íamos avançando ele apresentava os produtos que não conheciamos e explicava a origem e as suas aplicações.
Comprou um fruto estranho que se chama Vu Sua ou Breast-Milk Fruit para mais tarde degustarmos e que é de facto delicioso e diferente.
Também fez questão que provássemos a especialidade popular Balut, um ovo fertilizado, com um embrião de pintainho, cozido e comido ainda quente apenas com um pouco de sal, gengibre e malagueta.
Considerado afrodisíaco, um saudável e altamente proteico petisco, não nos caiu no goto... o que ainda era gema amarela estava demasiado cozida para o meu gosto, a parte da carne branca sabia a vulgar peito de frango cozido, e a parte mais escura da carne deviam ser as entranhas porque sabia desagradavelmente a fígado.
Não seria capaz de o comer todo como eles fazem.
É um mercado onde ainda há bichos vivos para as pessoas escolherem e que são mortos e preparados ali mesmo.
Fiquei fascinada com a quantidade e variedade de peixes vivos à venda neste mercado, já as tartarugas de casca mole com talvez um palmo e meio de tamanho. fez-me impressão vê-las a serem amanhadas.
Também vi matarem uma galinha mas isso é igualmente prática corrente no campo em Portugal.
Por fim, com todos os ingredientes necessários, fomos para a sua cozinha aprender a confeccionar os seguintes pratos:
Nunca tinha ido para paragens asiáticas e, por muito que já se tenha visto em filmes, documentários, revistas ou livros, a realidade a envolver-nos não tem comparação.
A cultura, os hábitos, o trânsito, a arquitectura, as pessoas, os cheiros, a comida tudo aquilo a que chamamos exótico ou não, porque de certa forma há sempre coisas que nos chocam.
Pela manhã apreende-se a crua realidade de uma cidade mas é à noite que se sente o seu verdadeiro pulsar, e esta descoberta foi incrível no Vietname.
Em Hanoi a minha filha agendou uma Cooking Class de comida tradicional vietnamita que se iniciava no mercado.
O próprio chef veio buscar-nos ao hotel e logo após ela ter escolhido o menu fomos às compras.
Como estávamos hospedadas na zona velha da cidade fomos ao mais antigo e tradicional mercado o Dong Xuan Market.
Este é um mercado sobretudo de produtos frescos que segundo o chef vêm todos os dias directamente das redondezas pela mão dos próprios produtores.
A oferta transcende o edifício principal e espalha-se pelas ruas adjacentes ocupando os passeios e organizando-se por tipos de produtos.
Conforme íamos avançando ele apresentava os produtos que não conheciamos e explicava a origem e as suas aplicações.
Comprou um fruto estranho que se chama Vu Sua ou Breast-Milk Fruit para mais tarde degustarmos e que é de facto delicioso e diferente.
Também fez questão que provássemos a especialidade popular Balut, um ovo fertilizado, com um embrião de pintainho, cozido e comido ainda quente apenas com um pouco de sal, gengibre e malagueta.
Considerado afrodisíaco, um saudável e altamente proteico petisco, não nos caiu no goto... o que ainda era gema amarela estava demasiado cozida para o meu gosto, a parte da carne branca sabia a vulgar peito de frango cozido, e a parte mais escura da carne deviam ser as entranhas porque sabia desagradavelmente a fígado.
Não seria capaz de o comer todo como eles fazem.
É um mercado onde ainda há bichos vivos para as pessoas escolherem e que são mortos e preparados ali mesmo.
Fiquei fascinada com a quantidade e variedade de peixes vivos à venda neste mercado, já as tartarugas de casca mole com talvez um palmo e meio de tamanho. fez-me impressão vê-las a serem amanhadas.
Também vi matarem uma galinha mas isso é igualmente prática corrente no campo em Portugal.
Por fim, com todos os ingredientes necessários, fomos para a sua cozinha aprender a confeccionar os seguintes pratos:
- NEM HA NOI - Hanoi Spring Rolls
- NOM HOA CHUOI GA - Banana Flower Salad with Chicken
- THIT LON KHO TAU - Stewed Pork wiht Caramel Sauce
sábado, 31 de outubro de 2015
Sabores exóticos como viagens degustativas
Em termos de alimentação posso afirmar que a minha família é deveras conservadora. Claro que me refiro às gerações anteriores, não à actual juventude.
Não me lembro de alguma vez na minha infância comer algo que não fosse cozinha tradicional portuguesa.
Ponderar comidas mais exóticas estava fora de questão.
Naquela altura também quase não havia restaurantes étnicos ou de comida internacional em Lisboa.
Lembro-me da La Trattoria na Artilharia Um mas nunca lá fui com os meus pais, só já adulta e com outras companhias.
No entanto houve uma época em que o meu pai descobriu que gostava de comida chinesa, principalmente de umas gambas picantes, e todos os pretextos eram bons para irmos ao restaurante Hong Kong numa perpendicular à Duque de Loulé. Era um bom restaurante mas foi sofrendo transformações até desaparecer.
A primeira vez que fui a um restaurante indiano, mais propriamente de comida goesa, foi com a minha amiga C e comi um maravilhoso caril de camarão.
Também foi com ela que experimentei comida mexicana num restaurante que já não existe, na D.Carlos I, e comida russa no Tapadinha na Calçada da Tapada.
Cada vez gosto mais de exaltar o paladar e adoro novos sabores e temperos, são autenticas viagens pelo mundo.
Inspirada pelo outono, pela estação das abóboras, fiz esta deliciosa sopa, um creme aveludado de sabor exótico.
Aprendi esta receita num daqueles programas de televisão no canal que só fala de cozinha a todas as horas.
Creme Exótico de Abóbora
Ingredientes:
Não me lembro de alguma vez na minha infância comer algo que não fosse cozinha tradicional portuguesa.
Ponderar comidas mais exóticas estava fora de questão.
Naquela altura também quase não havia restaurantes étnicos ou de comida internacional em Lisboa.
Lembro-me da La Trattoria na Artilharia Um mas nunca lá fui com os meus pais, só já adulta e com outras companhias.
No entanto houve uma época em que o meu pai descobriu que gostava de comida chinesa, principalmente de umas gambas picantes, e todos os pretextos eram bons para irmos ao restaurante Hong Kong numa perpendicular à Duque de Loulé. Era um bom restaurante mas foi sofrendo transformações até desaparecer.
A primeira vez que fui a um restaurante indiano, mais propriamente de comida goesa, foi com a minha amiga C e comi um maravilhoso caril de camarão.
Também foi com ela que experimentei comida mexicana num restaurante que já não existe, na D.Carlos I, e comida russa no Tapadinha na Calçada da Tapada.
Cada vez gosto mais de exaltar o paladar e adoro novos sabores e temperos, são autenticas viagens pelo mundo.
Inspirada pelo outono, pela estação das abóboras, fiz esta deliciosa sopa, um creme aveludado de sabor exótico.
Aprendi esta receita num daqueles programas de televisão no canal que só fala de cozinha a todas as horas.
Creme Exótico de Abóbora
Ingredientes:
- 1 abóbora manteiga
- 1 cebola
- 1 dente de alho
- 1 pedacinho de gengibre fresco
- 400 ml de leite de côco
- 100 ml a 200 ml de caldo de legumes
- 1 colher (chá) de caril em pó
- azeite qb
- sal qb
- pimenta qb
Preparação:
Cortar a abóbora ao meio longitudinalmente, retirar as sementes e os fios.
Temperar com sal, pimenta e um fio de azeite.
Levar ao forno pré-aquecido a 200º.C num recipiente com tampa durante cerca de 1 hora.
Retirar da casca a polpa da abóbora com a ajuda de uma colher e reservar,
Refogar em azeite a cebola e o alho picados grosseiramente e o gengibre bem picado em lume brando até a cebola ficar translúcida.
Juntar o pó de caril, mexer bem e adicionar a abóbora.
Juntar o leite de côco e um pouco de caldo de legumes ou água.
Deixar ferver alguns minutos.
Desligar o lume e triturar muito bem com a varinha mágica.
Notas:
A quantidade de caldo ou água adicionada depende da consistência pretendida.
Eu usei abóbora manteiga mas também pode ser feita com abóbora menina.
Aproveito sempre as sementes das abóboras. Lavo-as, espalho-as num tabuleiro envolvidas num fio de azeite e levo ao forno durante alguns minutos até tostarem ligeiramente
Temperar com sal, pimenta e um fio de azeite.
Levar ao forno pré-aquecido a 200º.C num recipiente com tampa durante cerca de 1 hora.
Retirar da casca a polpa da abóbora com a ajuda de uma colher e reservar,
Refogar em azeite a cebola e o alho picados grosseiramente e o gengibre bem picado em lume brando até a cebola ficar translúcida.
Juntar o pó de caril, mexer bem e adicionar a abóbora.
Juntar o leite de côco e um pouco de caldo de legumes ou água.
Deixar ferver alguns minutos.
Desligar o lume e triturar muito bem com a varinha mágica.
Notas:
A quantidade de caldo ou água adicionada depende da consistência pretendida.
Eu usei abóbora manteiga mas também pode ser feita com abóbora menina.
Aproveito sempre as sementes das abóboras. Lavo-as, espalho-as num tabuleiro envolvidas num fio de azeite e levo ao forno durante alguns minutos até tostarem ligeiramente
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
Iogurte caseiro
Actualmente são mais do que conhecidos os benefícios e propriedades do iogurte.
Há milénios que é feito, possivelmente desde a pré-história quando se começou a utilizar o leite dos animais domesticados e o armazenavam ou transportavam de forma a sujeitá-lo a um aumento da temperatura que propiciava a fermentação bacteriana e produzia o ácido lácteo transformando o leite em iogurte.
Crê-se que teve origem no Médio Oriente e Balcãs, com o nome árabe de leben, russo de koumis ou de kefir no Cáucaso.
É no entanto o nome de origem Turca yogurt (jugurt), o adoptado mundialmente no início do século XX quando começou a ser difundido graças a vários estudos que demonstravam o quanto o seu consumo beneficiava a saúde, como o estudo imuno-microbiológico efectuado pelo biólogo russo Ilya Ilyich Mechnikov (Carcóvia,1845 - Paris,1916) laureado com o Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1908.
Hoje em dia é impressionante a panóplia de produtos lácteos e derivados que a industria alimentar produz.
Segundo as memórias da minha família foi no início dos anos 60 que em Portugal apareceram à venda os iogurtes Veneza, primeiro em potes de louça branca e depois, já em doses individuais, em copos de vidro gravado e com a forma de pequenas bilhas leiteiras .
Por volta de 1970 já a minha tia G produzia os seus iogurtes caseiros com a ajuda da panela de pressão. No fim da década de 70 aparecem no mercado as iogurteiras no rol dos pequenos electrodomésticos a ter na cozinha.
Já nos anos 80 surgiu a moda da flor do iogurte, Parecida com a couve flor embora de textura mole e gelatinosa, é uma espécie de cogumelo que produz o kefir, um tipo de iogurte mais liquido e com mais propriedades devido à sua dupla fermentação, ácido láctea realizada pelas bactérias probióticas e alcoólica realizada pelas leveduras benéficas que vivem em conjunto de uma forma simbiótica.
Há falta de grãos de kefir eu faço iogurte caseiro pela receita tradicional do iogurte grego.
É um processo muito simples, apenas demorado.
Primeiro aqueço 2 litros de leite do dia meio-gordo; pode-se utilizar leite gordo ou mesmo magro.
Verto o leite para uma taça de vidro com tampa e deixo arrefecer até aos 45º.C.
Então misturo muito bem 100g de iogurte que reservei da anterior produção; na primeira vez pode-se utilizar um iogurte natural de compra.
Depois fecho a taça hermeticamente, embrulho-a numa manta, e coloco dentro do forno desligado.
Aguardo 8 horas sem abrir o forno; pode-se deixar fermentar até 10 horas mas quanto mais tempo maior a acidez do iogurte e torna-se desagradável ao paladar.
Numa tigela grande coloco um escorredor coberto com um pano de algodão onde verto o preparado. Tapo e coloco no frigorífico pelo menos por 6 horas. Deve-se mexer de vez em quando e verificar a consistência.
No fim obtenho cerca de 1 kilo de iogurte cremoso e quase 1 litro de soro de leite, Whey Protein, que também tem muitas aplicações e por isso também guardo num frasco no frigorífico.
Este iogurte caseiro, sem aditivos, saudável e muito saboroso aguenta uma semana no frigorífico.
Utilizo-o imenso nos pequenos-almoços e na confecção de alguns molhos e sobremesas.
Há milénios que é feito, possivelmente desde a pré-história quando se começou a utilizar o leite dos animais domesticados e o armazenavam ou transportavam de forma a sujeitá-lo a um aumento da temperatura que propiciava a fermentação bacteriana e produzia o ácido lácteo transformando o leite em iogurte.
Crê-se que teve origem no Médio Oriente e Balcãs, com o nome árabe de leben, russo de koumis ou de kefir no Cáucaso.
É no entanto o nome de origem Turca yogurt (jugurt), o adoptado mundialmente no início do século XX quando começou a ser difundido graças a vários estudos que demonstravam o quanto o seu consumo beneficiava a saúde, como o estudo imuno-microbiológico efectuado pelo biólogo russo Ilya Ilyich Mechnikov (Carcóvia,1845 - Paris,1916) laureado com o Nobel de Fisiologia ou Medicina em 1908.
Hoje em dia é impressionante a panóplia de produtos lácteos e derivados que a industria alimentar produz.
Segundo as memórias da minha família foi no início dos anos 60 que em Portugal apareceram à venda os iogurtes Veneza, primeiro em potes de louça branca e depois, já em doses individuais, em copos de vidro gravado e com a forma de pequenas bilhas leiteiras .
Por volta de 1970 já a minha tia G produzia os seus iogurtes caseiros com a ajuda da panela de pressão. No fim da década de 70 aparecem no mercado as iogurteiras no rol dos pequenos electrodomésticos a ter na cozinha.
Já nos anos 80 surgiu a moda da flor do iogurte, Parecida com a couve flor embora de textura mole e gelatinosa, é uma espécie de cogumelo que produz o kefir, um tipo de iogurte mais liquido e com mais propriedades devido à sua dupla fermentação, ácido láctea realizada pelas bactérias probióticas e alcoólica realizada pelas leveduras benéficas que vivem em conjunto de uma forma simbiótica.
Há falta de grãos de kefir eu faço iogurte caseiro pela receita tradicional do iogurte grego.
É um processo muito simples, apenas demorado.
Primeiro aqueço 2 litros de leite do dia meio-gordo; pode-se utilizar leite gordo ou mesmo magro.
Verto o leite para uma taça de vidro com tampa e deixo arrefecer até aos 45º.C.
Então misturo muito bem 100g de iogurte que reservei da anterior produção; na primeira vez pode-se utilizar um iogurte natural de compra.
Depois fecho a taça hermeticamente, embrulho-a numa manta, e coloco dentro do forno desligado.
Aguardo 8 horas sem abrir o forno; pode-se deixar fermentar até 10 horas mas quanto mais tempo maior a acidez do iogurte e torna-se desagradável ao paladar.
Numa tigela grande coloco um escorredor coberto com um pano de algodão onde verto o preparado. Tapo e coloco no frigorífico pelo menos por 6 horas. Deve-se mexer de vez em quando e verificar a consistência.
No fim obtenho cerca de 1 kilo de iogurte cremoso e quase 1 litro de soro de leite, Whey Protein, que também tem muitas aplicações e por isso também guardo num frasco no frigorífico.
Este iogurte caseiro, sem aditivos, saudável e muito saboroso aguenta uma semana no frigorífico.
Utilizo-o imenso nos pequenos-almoços e na confecção de alguns molhos e sobremesas.
quinta-feira, 4 de junho de 2015
Estudar, Casar e Bolos zás-trás-pás
Quando era criança e havia festas lá em casa, a minha mãe punha-nos sempre, a mim e à minha irmã, a bater as massas dos bolos.
Parecia um castigo porque o peso da batedeira cansava os nossos bracitos e o tempo necessário parecia-nos uma eternidade. A nossa compensação era ir metendo o dedo na tigela e provando a massa, amiúde. No fim ainda deixávamos uma boa quantidade no fundo da tigela para lamber com o rapa, vulgo "salazar".
Desconfio que a minha mãe reforçava a quantidade de ingredientes para não acabar com as formas meio vazias...
Tinha algumas, poucas, receitas que fazia sempre. Mousse de Chocolate, Pão-de-Ló, Torta de massa pão-de-ló com recheio de creme chocolate, Colchão da Noiva, Pudim de Laranja e um Pudim de Côco que quando eu era miúda não comia mas que mais tarde, muito mais tarde, descobri que é uma maravilha.
Era raro fazer os pudins porque nem sempre saíam bem, desmanchavam-se muito por isso preferia fazer o tipo de bolos muito simples, muito zás-trás-pás.
Mesmo o Colchão da Noiva que exige mais paciência e jeito para montar e dar o acabamento na cobertura, desde muito cedo me incumbiu de o fazer.
Super responsável, fazia as coisas porque tinham de ser feitas. Muito mais exigente na higiene da casa e das roupas, na cozinha sempre se preocupou mais com a qualidade dos produtos, na forma simples e saudável de os preparar e na abundância e variedade das refeições.
Ainda hoje, se o assunto vem à baila queixa-se de não ter tido oportunidade de estudar mais, das dificuldades económicas e das mentalidades da época e das várias condicionantes adversas que lhe coarctaram as hipóteses de realização pessoal e profissional. Compreendo que não tenha alcançado o seu ideal mas após ter deixado a escola quando fez a 4ª.classe, tanto pediu, tanto insistiu que o meu avô anuiu e aos 16 anos conseguiu num ano, com aulas particulares, preparar-se para o exame do 2º.ano e dois anos depois concluir, sozinha, os exames do antigo 5º.ano dos liceus. Atenção que isto foi em 1957.
Como as suas piores notas foram nas provas orais de francês e inglês começou a frequentar o Instituto Francês e o Instituto Britânico e aprendeu as duas línguas com uma excelente pronúncia semelhante aos nativos.
Depois casou, como era suposto na época, mas ser uma dona de casa prendada não era de todo o seu estilo.
Assim que nós começámos a ir para o Jardim Escola, tinha eu 5 anos, começou a procurar emprego.
Entre outros, respondeu, conforme se fazia na época, por carta dirigida ao jornal com a referência publicada, a um anúncio que pedia secretária fluente em francês e inglês. Ficou toda contente quando a chamaram para uma entrevista e imediatamente em pânico quando soube que era na Rua António Maria Cardoso, nas instalações da Direcção Geral de Segurança (ex-PIDE). Suficientemente politizada para não querer trabalhar em tal organismo a hipótese de não comparecer ou de recusar o emprego estava fora de causa dado que se tratava da polícia política e correria o risco de se tornar suspeita e perseguida.
Enquanto percorria aqueles corredores labirínticos por onde era encaminhada, enquanto esperava numa sala sozinha com a nítida impressão de estar a ser observada, dominou o medo e decidiu fazer-se de parva, mesmo estúpida, durante toda a entrevista e foi assim que conseguiu não ser seleccionada.
Depois arranjou emprego em firmas idóneas e quando o meu avô J morreu, a avó A foi viver lá para casa exercendo o domínio da cozinha.
Poucos anos mais tarde iniciou, juntamente com o meu pai, uma empresa que foi crescendo com muito trabalho, investimento e dedicação. Mais um motivo para delegar quase todas as tarefas na cozinha.
Não teve a carreira profissional gloriosa com que sempre sonhou mas alcançou outros méritos, tem uma bela família e duas filhas, três netas e um neto e ainda pode vir a ter bisnetos...
Agora fica rejubilante quando nos consegue reunir a todos lá em casa e prepara carinhosamente os pratos preferidos da sua prole - as mãozinhas de borrego assadas ou o rosbife grelhado no forno acompanhado de abundante molho de natas e cogumelos.
Para não serem sempre os mesmos zás-trás-pás, pede-me sempre para eu fazer e levar os bolos e as sobremesas.
Parecia um castigo porque o peso da batedeira cansava os nossos bracitos e o tempo necessário parecia-nos uma eternidade. A nossa compensação era ir metendo o dedo na tigela e provando a massa, amiúde. No fim ainda deixávamos uma boa quantidade no fundo da tigela para lamber com o rapa, vulgo "salazar".
Desconfio que a minha mãe reforçava a quantidade de ingredientes para não acabar com as formas meio vazias...
Tinha algumas, poucas, receitas que fazia sempre. Mousse de Chocolate, Pão-de-Ló, Torta de massa pão-de-ló com recheio de creme chocolate, Colchão da Noiva, Pudim de Laranja e um Pudim de Côco que quando eu era miúda não comia mas que mais tarde, muito mais tarde, descobri que é uma maravilha.
Era raro fazer os pudins porque nem sempre saíam bem, desmanchavam-se muito por isso preferia fazer o tipo de bolos muito simples, muito zás-trás-pás.
Mesmo o Colchão da Noiva que exige mais paciência e jeito para montar e dar o acabamento na cobertura, desde muito cedo me incumbiu de o fazer.
Super responsável, fazia as coisas porque tinham de ser feitas. Muito mais exigente na higiene da casa e das roupas, na cozinha sempre se preocupou mais com a qualidade dos produtos, na forma simples e saudável de os preparar e na abundância e variedade das refeições.
Ainda hoje, se o assunto vem à baila queixa-se de não ter tido oportunidade de estudar mais, das dificuldades económicas e das mentalidades da época e das várias condicionantes adversas que lhe coarctaram as hipóteses de realização pessoal e profissional. Compreendo que não tenha alcançado o seu ideal mas após ter deixado a escola quando fez a 4ª.classe, tanto pediu, tanto insistiu que o meu avô anuiu e aos 16 anos conseguiu num ano, com aulas particulares, preparar-se para o exame do 2º.ano e dois anos depois concluir, sozinha, os exames do antigo 5º.ano dos liceus. Atenção que isto foi em 1957.
Como as suas piores notas foram nas provas orais de francês e inglês começou a frequentar o Instituto Francês e o Instituto Britânico e aprendeu as duas línguas com uma excelente pronúncia semelhante aos nativos.
Depois casou, como era suposto na época, mas ser uma dona de casa prendada não era de todo o seu estilo.
Assim que nós começámos a ir para o Jardim Escola, tinha eu 5 anos, começou a procurar emprego.
Entre outros, respondeu, conforme se fazia na época, por carta dirigida ao jornal com a referência publicada, a um anúncio que pedia secretária fluente em francês e inglês. Ficou toda contente quando a chamaram para uma entrevista e imediatamente em pânico quando soube que era na Rua António Maria Cardoso, nas instalações da Direcção Geral de Segurança (ex-PIDE). Suficientemente politizada para não querer trabalhar em tal organismo a hipótese de não comparecer ou de recusar o emprego estava fora de causa dado que se tratava da polícia política e correria o risco de se tornar suspeita e perseguida.
Enquanto percorria aqueles corredores labirínticos por onde era encaminhada, enquanto esperava numa sala sozinha com a nítida impressão de estar a ser observada, dominou o medo e decidiu fazer-se de parva, mesmo estúpida, durante toda a entrevista e foi assim que conseguiu não ser seleccionada.
Depois arranjou emprego em firmas idóneas e quando o meu avô J morreu, a avó A foi viver lá para casa exercendo o domínio da cozinha.
Poucos anos mais tarde iniciou, juntamente com o meu pai, uma empresa que foi crescendo com muito trabalho, investimento e dedicação. Mais um motivo para delegar quase todas as tarefas na cozinha.
Não teve a carreira profissional gloriosa com que sempre sonhou mas alcançou outros méritos, tem uma bela família e duas filhas, três netas e um neto e ainda pode vir a ter bisnetos...
Agora fica rejubilante quando nos consegue reunir a todos lá em casa e prepara carinhosamente os pratos preferidos da sua prole - as mãozinhas de borrego assadas ou o rosbife grelhado no forno acompanhado de abundante molho de natas e cogumelos.
Para não serem sempre os mesmos zás-trás-pás, pede-me sempre para eu fazer e levar os bolos e as sobremesas.
segunda-feira, 11 de maio de 2015
Horta e árvores de fruto - marmelada, geleias e doces
Há alguns anos os meus tios foram viver para uma aldeia na beira da serra, onde o tio Z empresário inveterado trabalha, apesar dos seus 87 anos.
Com terrenos disponíveis para explorar criaram um pequeno pomar com várias árvores de frutos. Os meus preferidos são as cerejas, os figos e os alperces.
Ainda pensaram plantar um olival mas o preço da mão de obra na apanha das azeitonas não compensava numa pequena produção artesanal e desmotivou-os. Têm apenas duas oliveiras e apanham as azeitonas para petiscar bem temperadas.
Também já criaram porcos mas juraram para nunca mais. Deu muito trabalho, despesa e sujeira.
Agora só têm galinhas e patos.
Os patos vivem felizes num lago enorme, as galinhas estão numa boa capoeira.
As galinhas dão ovos e de vez em quando lá vai uma parar à panela. Os patos também e a minha tia G faz o melhor arroz de pato na opinião de toda a família.
Nesta altura do ano é quando elas põem mais ovos, tantos que para os aproveitar andamos a fazer bolos de empreitada para congelar. Fiquem sabendo que há muitos bolos que não perdem nada, antes pelo contrário, ao serem congelados.
Em redor da casa há rosas, hortênsias, muitas flores e ainda uma horta onde tudo tem um sabor incomparável aos produtos comprados. Até custa a acreditar como a salsa, a hortelã e os coentros, por exemplo, têm uma fantástica intensidade de cheiro e sabor quando são colhidos, já para não falar nos grelos, couves, tomates, enfim tudo o que a terra dá. Só quem tem a sorte de ter acesso directo a estes produtos sabe a real diferença.
Também têm marmeleiros, um fruto que fresco não é muito apreciado portanto é práticamente todo convertido em geleia de marmelo e marmelada.
Aliás, sazonalmente é preciso converter grande parte da fruta em doces e compotas, secar figos e pendurar cachos de uvas para fazer passas.
A tia G também costuma fazer doce de tomate, que eu adoro. Ainda me lembro de umas gravações de som em bobines de fita que o meu pai fez na minha infância e ouvir enternecida a minha vozinha dizer _ Maía do Xéu, qué doxinho encanado. _ quando tinha 2 anos eu falava axim...
No inverno, quando apanhamos laranjas com casca mais grossa aproveitamos para a cristalizar em tirinhas que depois se guardam no congelador para não secarem. Servem para o bolo inglês, bolo rei e também para devorar distraidamente...
Tenho de lhes pedir para voltarem a semear abóbora gila para fazermos doce muito melhor do que há por aí à venda. É difícil encontrar algum que não seja demasiado líquido e com os fios característicos da gila e isso reflecte-se na qualidade dos doces e bolos conventuais que se preparam com este doce.
Há imensos pinheiros bravos porém só havia um pinheiro manso perto da casa mas no ano passado teve de ser cortado porque estava tão grande, tão grande que as suas raízes já ameaçavam causar sérios danos nas construções. Acabou-se assim a árdua tarefa de colher e extrair o miolo dos pinhões.
Com terrenos disponíveis para explorar criaram um pequeno pomar com várias árvores de frutos. Os meus preferidos são as cerejas, os figos e os alperces.
Ainda pensaram plantar um olival mas o preço da mão de obra na apanha das azeitonas não compensava numa pequena produção artesanal e desmotivou-os. Têm apenas duas oliveiras e apanham as azeitonas para petiscar bem temperadas.
Agora só têm galinhas e patos.
Os patos vivem felizes num lago enorme, as galinhas estão numa boa capoeira.
As galinhas dão ovos e de vez em quando lá vai uma parar à panela. Os patos também e a minha tia G faz o melhor arroz de pato na opinião de toda a família.
Nesta altura do ano é quando elas põem mais ovos, tantos que para os aproveitar andamos a fazer bolos de empreitada para congelar. Fiquem sabendo que há muitos bolos que não perdem nada, antes pelo contrário, ao serem congelados.
Em redor da casa há rosas, hortênsias, muitas flores e ainda uma horta onde tudo tem um sabor incomparável aos produtos comprados. Até custa a acreditar como a salsa, a hortelã e os coentros, por exemplo, têm uma fantástica intensidade de cheiro e sabor quando são colhidos, já para não falar nos grelos, couves, tomates, enfim tudo o que a terra dá. Só quem tem a sorte de ter acesso directo a estes produtos sabe a real diferença.
Também têm marmeleiros, um fruto que fresco não é muito apreciado portanto é práticamente todo convertido em geleia de marmelo e marmelada.
Aliás, sazonalmente é preciso converter grande parte da fruta em doces e compotas, secar figos e pendurar cachos de uvas para fazer passas.
A tia G também costuma fazer doce de tomate, que eu adoro. Ainda me lembro de umas gravações de som em bobines de fita que o meu pai fez na minha infância e ouvir enternecida a minha vozinha dizer _ Maía do Xéu, qué doxinho encanado. _ quando tinha 2 anos eu falava axim...
No inverno, quando apanhamos laranjas com casca mais grossa aproveitamos para a cristalizar em tirinhas que depois se guardam no congelador para não secarem. Servem para o bolo inglês, bolo rei e também para devorar distraidamente...
Tenho de lhes pedir para voltarem a semear abóbora gila para fazermos doce muito melhor do que há por aí à venda. É difícil encontrar algum que não seja demasiado líquido e com os fios característicos da gila e isso reflecte-se na qualidade dos doces e bolos conventuais que se preparam com este doce.
Há imensos pinheiros bravos porém só havia um pinheiro manso perto da casa mas no ano passado teve de ser cortado porque estava tão grande, tão grande que as suas raízes já ameaçavam causar sérios danos nas construções. Acabou-se assim a árdua tarefa de colher e extrair o miolo dos pinhões.
quinta-feira, 7 de maio de 2015
Memórias culinárias da infância - fricassé e tortas
Para mim, o prato emblemático da minha tia G, irmã da minha mãe, é, desde que eu era criança até aos dias de hoje, o frango de fricassé.
Mas seria redutor não referir os imensos predicados culinários da tia G.
Só depois de casar é que pôde dedicar-se a cozinhar porque em casa da mãe, a minha avó A, não tinha hipótese de experimentar receitas.
Dona de casa prendada, logo procurou aprender com a experiência da sogra e sobretudo das cunhadas.
A tia L, irmã do meu pai e mais tarde minha madrinha, ofereceu-lhe em 1959 a 22ª.edição de O Livro de Pantagruel , uma colectânea inédita na época de receitas tradicionais de todo mundo e uma preciosa ajuda para as cozinheiras amadoras. Creio que naquele tempo talvez se possa comparar a importância deste livro cá em Portugal, com a "bíblia" da gastronomia americana, Mastering the Art of French Cooking, compilado pela famosa Julia Child.
Mais tarde coleccionava as Teleculinárias do Chef Silva e foi assim que ao longo do tempo foi aprimorando e diversificando os pratos que servia à família.
É importante esclarecer que a tia G e a minha mãe têm uma diferença de 9 anos e quando casou aproximou as duas famílias mas ninguém previu que 10 anos mais tarde a minha mãe acabaria por casar com o irmão mais novo do tio Z.
Este facto de duas irmãs terem casado com dois irmãos proporcionou que se formasse um núcleo familiar muito forte. Por exemplo, no Natal sempre me lembro das festas na casa da minha avó paterna onde todos se reuniam e nunca senti aquela pressão muito comum de ter me dividir entre duas famílias, a do pai e a da mãe.
Também passávamos férias juntos, as inolvidáveis férias na Ericeira e mais tarde no Algarve.
Quando era criança passava imenso tempo com ela na sua casa, em passeios ou nas pequenas mas regulares visitas aos negócios do tio Z na beira da serra.
Muito dedicada e atenciosa, cozinha para agradar aos seus e exemplo disso é a Torta do P que criou para agradar ao neto, inspirada nos Guardanapos, único bolo que ele comia nas pastelarias.
Mas seria redutor não referir os imensos predicados culinários da tia G.
Só depois de casar é que pôde dedicar-se a cozinhar porque em casa da mãe, a minha avó A, não tinha hipótese de experimentar receitas.
Dona de casa prendada, logo procurou aprender com a experiência da sogra e sobretudo das cunhadas.
A tia L, irmã do meu pai e mais tarde minha madrinha, ofereceu-lhe em 1959 a 22ª.edição de O Livro de Pantagruel , uma colectânea inédita na época de receitas tradicionais de todo mundo e uma preciosa ajuda para as cozinheiras amadoras. Creio que naquele tempo talvez se possa comparar a importância deste livro cá em Portugal, com a "bíblia" da gastronomia americana, Mastering the Art of French Cooking, compilado pela famosa Julia Child.
Mais tarde coleccionava as Teleculinárias do Chef Silva e foi assim que ao longo do tempo foi aprimorando e diversificando os pratos que servia à família.
Este facto de duas irmãs terem casado com dois irmãos proporcionou que se formasse um núcleo familiar muito forte. Por exemplo, no Natal sempre me lembro das festas na casa da minha avó paterna onde todos se reuniam e nunca senti aquela pressão muito comum de ter me dividir entre duas famílias, a do pai e a da mãe.
Também passávamos férias juntos, as inolvidáveis férias na Ericeira e mais tarde no Algarve.
Quando era criança passava imenso tempo com ela na sua casa, em passeios ou nas pequenas mas regulares visitas aos negócios do tio Z na beira da serra.
Muito dedicada e atenciosa, cozinha para agradar aos seus e exemplo disso é a Torta do P que criou para agradar ao neto, inspirada nos Guardanapos, único bolo que ele comia nas pastelarias.
Subscrever:
Mensagens (Atom)





























