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segunda-feira, 29 de junho de 2015

Mas tu nunca te divertes ?!

Quando acabámos o curso, já lá vão quase três décadas, cada um foi à sua vida.
Foi tempo de carreiras profissionais, casamentos e alguns divórcios, eventualmente filhos.
Houve quem mantivesse laços de amizade consistente, outros perdemos-lhes o rasto.

Em 2010, com a ajuda do facebook e cruzando listas de contactos pessoais conseguimos juntar a maior parte da turma num jantar saudosista, alguns não se viam desde 1987. 
Entretanto já se organizaram vários encontros e felizmente há quem nunca falte, eu sou uma delas.

Desta vez uma amiga simpática ofereceu a casa, outros ajuda, e eu propus-me cozinhar.

O maior desafio era escolher um menu que não me obrigasse a ficar na cozinha enquanto os outros conviviam alegremente porque desta vez eu era também conviva no evento. 
Acho que consegui e foi do agrado de todos mas naquela azáfama esqueci-me de tirar muitas fotografias.

A grande vantagem da minha organização é precisamente a dos anfitriões não se preocuparem com a preparação das refeições nem com o serviço e poderem desfrutar as suas festas.

Sentados à mesa é fácil descontrair, conversar animadamente, recordar peripécias nas aulas, professores e colegas.
Observo como não perdemos o entusiasmo e parece que o tempo não passou, ainda conseguimos ser os mesmos jovens, rir em uníssono e no fundo verifico que mantivemos a personalidade apesar dos percursos diferentes. 
Empregados ou não, empresários ou artistas, com mais ou menos reviravoltas na vida mantemos o espírito vivo embora numa fase diferente.
Apesar de nos enternecermos orgulhosamente com as actividades dos nossos rebentos, ainda gostamos de partilhar os nossos projectos mais pessoais, ainda temos sonhos por concretizar e energia para os desenvolver.
O ritmo é que é outro, sabemos o que queremos e ouso dizer, queremos viver melhor. Trabalhar para viver e não viver para trabalhar.

Valorizar o verdadeiro voluntariado das iniciativas em prol dos mais carenciados ou fragilizados é muito digno de respeito e motivador.
Ser freelancer ou artista sem ordenado garantido no final do mês pode ser aterrador mas também estimulante, e mesmo que se tenham de fazer concessões para sobreviver, a alma não está à venda.
Almas cuja inspiração e o talento merecem a sorte do reconhecimento e do sucesso.
Admiro-os muito e tenho verdadeiro apreço na nossa amizade.

Ás vezes o click pode ser uma pergunta contundente de uma criança após a apresentação do trabalho exaustivo de uma copyrighter  _  Mas tu nunca te divertes?!
Entrada :

Mini queques de bacon e queijo, queijo fresco, queijo amanteigado, tostas finas e salada de alface com aipo e maçã.







Prato :


Lombinho de porco assado com ervas aromáticas e paprika.
Batatas gratinadas.
Pimentos vermelhos fumados
Broa de milho tostada com espinafres, azeite e alho.




Sobremesa :

Pavlova de Frutos Vermelhos e Coulis de Morango






Café Nespresso 
e 
Chá Ignoramus

terça-feira, 19 de maio de 2015

Competições parvas e gargalhadas cúmplices

Eu e a minha irmã temos menos de 2 anos de diferença e, como é natural na infância, tínhamos muitos despiques _ Primeiras! _ Este lugar é meu! _ Eu escolhi primeiro!
Nas nossas brincadeiras e fantasias de crianças entendiamo-nos muito bem mas de resto competíamos por tudo e mais alguma coisa, o pão mais mal cozido, os croquetes mais douradinhos ou a torrada mais apetitosa...
Geralmente acabava em simples brigas de irmãs que não duravam nada mas às vezes eramos exasperantes e punham-nos de castigo com ralhetes e alguma palmada assertiva.
Certo dia ao almoço, quando veio para a mesa uma travessa cheia de linguados fritos começámos a disputar um linguado que por acaso tinha ficado com a parte mais clara virada para cima. Apesar de sabermos perfeitamente que todos os linguados tem um lado de pele escura e outro de pele branca, deu-nos para aquela parvoíce.
Enquanto comíamos a sopa apontávamos e afirmávamos _Este é para mim! e logo a outra metia o dedo e ripostava _ Não, não, este é para mim! Ao fim de várias vezes e já sob aviso impaciente dos nossos pais, ela pôs o dedo no cobiçado linguado e eu afastei a sua mão com um gesto mais brusco e para nosso espanto, vários linguados voaram para fora da travessa.
O ambiente ficou tenso. 
O sermão fez-se ouvir e baixando os olhos continuámos a comer a sopa e a tentar controlar a vontade de rir de tal forma exorbitante que quando os nossos olhares se cruzaram não nos conseguimos conter e soltámos o riso e a sopa que saiu projectada borrifando tudo à nossa volta. 
Foi o descalabro. 
Dominadas pelas gargalhadas nervosas nem vimos chegar o par de bofetadas e torcendo-nos com a risota incontrolável fomos expulsas da mesa e corremos para o nosso quarto a rir até não poder mais.
Graças à intervenção da avó A, depois de eles acabarem de comer, lá tivemos autorização de ir almoçar. E os linguados estavam todos deliciosos, claros e escuros.
Durante dias rimos desta cena hilariante e ainda hoje, quando a partilhamos, é motivo de risota porque a conseguimos reviver emocionalmente.



quinta-feira, 7 de maio de 2015

Memórias culinárias da infância - fricassé e tortas

Para mim, o prato emblemático da minha tia G, irmã da minha mãe, é, desde que eu era criança até aos dias de hoje, o frango de fricassé.
Mas seria redutor não referir os imensos predicados culinários da tia G. 
Só depois de casar é que pôde dedicar-se a cozinhar porque em casa da mãe, a minha avó A, não tinha hipótese de experimentar receitas.
Dona de casa prendada, logo procurou aprender com a experiência da sogra e sobretudo das cunhadas. 
A tia L, irmã do meu pai e mais tarde minha madrinha, ofereceu-lhe em 1959 a 22ª.edição de O Livro de Pantagruel , uma colectânea inédita na época de receitas tradicionais de todo mundo e uma preciosa ajuda para as cozinheiras amadoras. Creio que naquele tempo talvez se possa comparar a importância deste livro cá em Portugal, com a "bíblia" da gastronomia americana, Mastering the Art of French Cooking, compilado pela famosa Julia Child.
Mais tarde coleccionava as Teleculinárias do Chef Silva e foi assim que ao longo do tempo foi aprimorando e diversificando os pratos que servia à família.



É importante esclarecer que a tia G e a minha mãe têm uma diferença de 9 anos e quando casou aproximou as duas famílias mas ninguém previu que 10 anos mais tarde a minha mãe acabaria por casar com o irmão mais novo do tio Z. 
Este facto de duas irmãs terem casado com dois irmãos proporcionou que se formasse um núcleo familiar muito forte. Por exemplo, no Natal sempre me lembro das festas na casa da minha avó paterna onde todos se reuniam e nunca senti aquela pressão muito comum de ter me dividir entre duas famílias, a do pai e a da mãe.
Também passávamos férias juntos, as inolvidáveis férias na Ericeira e mais tarde no Algarve.
Quando era criança passava imenso tempo com ela na sua casa, em passeios ou nas pequenas mas regulares visitas aos negócios do tio Z na beira da serra.
Muito dedicada e atenciosa, cozinha para agradar aos seus e exemplo disso é a Torta do P que criou para agradar ao neto, inspirada nos Guardanapos, único bolo que ele comia nas pastelarias.



domingo, 15 de março de 2015

Primeiro desafio culinário

Depois, nas férias de verão, começámos a ir para outras praias Sesimbra, Praia da Luz, Manta Rota e o esquema já era diferente. A miudagem ficava o tempo todo, geralmente um mês, e os adultos iam-se revezando conforme os compromissos de trabalho.
No verão dos meus 17 anos, depois de passar um mês na Praia da Luz fui, com outros tios e primos, mais duas semanas para a Manta Rota.
Nesse ano eu estava super bronzeada, mesmo morena, de tanto sol que apanhei.
Não me recordo porquê, pois nunca tive o hábito de me gabarolar mas a fama das minhas lulas recheadas fez com que num belo dia eu fosse desafiada a fazer o almoço.
A compra dos ingredientes foi feita no mercado ao pé da praia, tudo fresquíssimo.
E fomos para a cozinha, eu e as minhas tias.
Eu era a chefe e elas muito queridas ajudavam a picar as cebola, os alho, a pelar  tomate, uma trabalheira porque o prato é complicado e a quantidade era muita, para dez pessoas.
E o almoço tardava pois o recheio faz-se primeiro, depois enche-se as lulas e volta-se ao princípio de outra tomatada. Eu orientava as tias, tomava decisões, calculava as quantidades e os tempos, eu temperava e juntava os "pózinhos de perlimpimpim" como ainda costumo dizer.
E o almoço tardava mas já cheirava bem. E enquanto as lulas apuravam fizemos o puré de batata à minha maneira e uma grande salada de alface.
Entretanto a miudagem, a prima E e os homens chegaram da praia.
O meu primo JM, trocista como só ele, começou logo a dizer à mulher para lhe preparar qualquer coisa para comer porque não confiava na minha falta de habilitações para cozinhar e que a comida não ía ficar capaz, e isto e mais aquilo, e não se calava com a chacota.
Se eu não o conhecesse de ginjeira, teria ficado ofendida, mas assim fiquei apenas ligeiramente melindrada e enchi-me de brios para que tudo ficasse perfeito.
E ficou.
As lulas tenrinhas, doces e picantes, mesmo saborosas. 
O puré com a consistência certa acompanhava e acolhia o molho das lulas voluptuosamente. 
A salada bem temperada refrescava o prato. Perfeito.
Todos comeram satisfeitos e repetiram a dose elogiando o meu jeito precoce para a cozinha.
O meu primo JM que já tinha comido uma sandes, sentado na cadeira de balouço troçava ostensivamente e tardava em vir para a mesa.
Por fim, após grande insistência das tias e da prima E, sua mulher, lá se sentou à frente de um prato servido com parcimónia e provou, degustou e comeu, e olhou para mim com uma expressão de satisfação e espanto que nunca mais esqueço.
E quis repetir mas já não havia mais. 
Ah! Ah! Ah!