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quarta-feira, 4 de março de 2015

Memórias culinárias da infância - croquetes e mousse de chocolate


E a minha mãe? Não, definitivamente não foi a minha mãe a inspiradora do meu gosto pela culinária.




Ela sempre disse que não gostava de cozinhar  apesar de o fazer bem.
Quando casou parece que não sabia sequer estrelar um ovo, por uma lado porque nunca se interessou pela cozinha mas principalmente porque a mãe, a minha avó A, nunca a deixou aproximar-se do fogão na sua casa.
Depois lá foi aprendendo sobretudo com a irmã, a minha tia G.
Na minha infância o que eu mais gostava era dos seus croquetes e da mousse de chocolate.
Como já disse eu não era nada gulosa quando era miúda, praticamente não comia doces, nem chocolate.
Quando andava na escola primária, não sei porquê, enjoei o leite. Nessa altura ao pequeno almoço como era obrigada a beber, juntava uma colherzinha mal cheia de nesquik, apenas o suficiente para disfarçar o sabor do leite mas o mínimo para não ficar achocolatado. 
Por isso gostava da mousse da minha mãe que levava muitos ovos, açúcar e claras muito bem batidas em castelo e não tinha um sabor demasiado intenso a chocolate.
Os croquetes sim, eram maravilhosos. Feitos por um processo que eu ainda hoje utilizo e acho que ficam melhores do que quaisquer outros.
Claro que eu com o meu jeito e o meu gosto, direi mesmo paixão, ainda os faço mais perfeitos.
Dirão - "Presunção e água benta... cada um toma a que quer...", mas olhem que não, e estou disposta a prová-lo.


segunda-feira, 2 de março de 2015

As técnicas culinárias do meu pai

Enquanto a avó A viveu lá em casa o meu pai quase não tinha autorização de cozinhar, mas ele gostava muito de fazer uns petiscos, principalmente aos fins de semana.
Na cozinha, e não só,o meu pai tinha umas minúcias processuais com uma lógica muito própria.
Foi ele que me ensinou que para temperar uma salada simples de alface ou tomate espalham-se primeiro umas pedrinhas de sal, depois salpica-se com vinagre - para começar a dissolver o sal, e só depois se juntava o azeite. Ainda hoje assim procedo a menos que faça um molho ou vinagrete mais elaborado; então misturo os ingredientes dentro de um frasco com tampa, agito bem para emulsionar e fica pronto para deitar nas saladas.
Quando eu era miúda tínhamos uma torradeira vulgar com a resistência ao centro e duas tampas laterais com mola onde se colocava o pão. O seu método era indicado para pães pequenos tipo carcaça; primeiro colocava a metade do pão com a côdea virada para a resistência e depois virava para torrar o lado do miolo onde se ia barrar a manteiga que assim se derretia imediatamente e as torradas ficavam realmente melhores.
A lógica do meu pai era fundamentada o que me leva a pensar que ele observava e reflectia sobre tudo, até sobre as rotinas quotidianas.
Tinha autorização e a incumbência de trinchar a carne.



Também era muitas vezes chamado à cozinha quando a maionese talhava, o que acontecia amiúde, e era preciso salvá-la.
Tinha tendência para empolgar-se com a compra de pequenos electrodomésticos e utensílios que facilitassem as tarefas ou obtivessem melhores resultados na cozinha. Enquanto ele se perdia nas lojas, a minha mãe obstava as novas tecnologias.
Herdei dele esta faceta e estes gostos, não tenho dúvidas.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Bolo de Iogurte

O bolo de iogurte não fazia parte do meu repertório de receitas até que um dia as minhas filhas chegaram da escola todas contentes porque tinham feito um bolo muito bom no ATL e trouxeram a receita do bolo de iogurte.
Claro que insistiram para o voltar a fazer em casa e estavam gloriosas a ensinar a mãe. Foi uma experiência que se revelou melhor do que expectava.
É uma massa muito fácil de preparar, daquelas que se misturam todos os ingredientes numa tigela e é só bater, deitar numa forma untada e enfarinhada e levar ao forno à temperatura habitual, os 180º. 
Se não deixar cozer demais, fica muito fofo e com uma textura agradável. Além disso, é muito versátil porque permite adicionar outros ingredientes como por exemplo, sumo e pedacinhos de abacaxi, banana madura (aquelas que de vez em quando ficam na fruteira rejeitadas porque já ninguém as consegue comer à dentada), na verdade podemos acrescentar qualquer fruta fresca para personalizar o sabor ou mesmo enriquecer com frutos secos. 
Uma vez experimentei substituir o óleo por manteiga, ficou bom mas voltei à receita original porque o sabor da manteiga, embora agradável, sobrepôs-se e deixou de ser um bolo de iogurte. O óleo é inócuo e torna a massa mais leve
Geralmente apresenta-se simples e é perfeito para acompanhar um chá, um café ou mesmo para completar um pequeno almoço especial. 
Curiosamente esta massa também pode ser utilizada em bolos recheados e com cobertura, o limite é a nossa imaginação ou capacidade técnica...
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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Memórias culinárias da infância - bifes e gemadas

A minha avó A, mãe da minha mãe, era completamente diferente da minha avó paterna.
A sua comida era simples e tradicional, mais rústica.
Eu era a única neta que ela gostava de ter na cozinha e dizia-me tantas vezes "Ajuda de menina é pouco mas quem a perde é que é louco"
Era a minha avó dos provérbios das frases feitas, algumas bem estranhas e inexplicáveis mas ela dizia-as sempre num determinado contexto e era esse enquadramento que lhes dava sentido.
Era a minha avó das gemadas ao lanche, bem batidas e amarelinhas.
Mas o que eu recordo, com alguma nostalgia até, eram os seus bifes fritos com muito alho e um molho delicioso que também servia para ensopar o arroz de manteiga cremoso que fazia para acompanhar.
Quando o meu avô J morreu ela veio viver connosco. Primeiro porque nunca mais quis dormir na casa dela e não descansou enquanto não distribuiu tudo o que lá tinha, e depois porque assim ajudava a minha mãe que tinha na altura duas miúdas pequenas e estava empregada.
Assim se iniciou a grande disputa pela cozinha, claramente perdida pela minha mãe.
A avó A é que punha e dispunha. Ali era o seu reino, mas era sobretudo, percebi mais tarde, a sua motivação para a vida e a necessidade de se sentir útil.
Foi ajudando-a em pequenas tarefas e observando tudo o que fazia que comecei a aprender a cozinhar.


Tenho pouquíssimas fotografias desta minha avó A, porque ela teimava em esconder a face das câmaras, mas aqui está ela nas furnas da Ericeira onde gostava de passar as tardes de verão a apanhar um pouco de sol e muito iodo. 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Memórias culinárias da Infância - churrascos e camarões

O meu pai adorava bacalhau de todas as maneiras e feitios. Principalmente de bacalhau assado. 
Há uns anos levou no carro, para umas férias na Suíça, um bacalhau seco inteiro - disse que era boa ideia porque não se estragava. Eu não fui nessa viagem, mas diz quem foi que quase todos os dias havia uma refeição de bacalhau. Já estavam todos saturados, menos o meu pai, claro!
No verão e sempre que íamos para uma casa com terraço ou jardim ele preparava o fogareiro, fazia as brasas cuidadosamente e assava sardinhas e todo o tipo de peixe na perfeição.



Mas se o recordo em casa na cozinha é a preparar camarão tigre, frito e picante. Uma perdição de lambuzar os dedos!